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Rússia enfrenta maior ataque de drones contra Moscou desde início da guerra

Assessoria
Rússia enfrenta maior ataque de drones contra Moscou desde início da guerra Manifestantes pró-Ucrânia se reúnem na entrada da rua que leva à embaixada russa no centro de Londres, local de votação. (AFP)

A Rússia registrou neste domingo (20) um ataque em larga escala com mais de 1.600 drones ucranianos, no terceiro e último dia das eleições parlamentares do país. Segundo autoridades russas, mais de 1.600 drones foram interceptados, sendo cerca de 450 na região de Moscou.

O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que o ataque foi o mais amplo contra a capital desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, em 2022.

Na região de Moscou, um drone atingiu um grande edifício residencial, provocando incêndio na fachada e destruindo parte de vários andares. Um incêndio também foi registrado em uma refinaria.

De acordo com o governador da região de Moscou, Andrei Vorobiov, pelo menos duas pessoas morreram durante os ataques. Cerca de 400 moradores precisaram ser retirados de um prédio residencial atingido por um incêndio.

Um drone ucraniano também atingiu um ônibus na região de Kherson, no sul da Ucrânia, área controlada pela Rússia. Segundo a Comissão Eleitoral, duas pessoas morreram, entre elas uma funcionária do órgão.

“O ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de perturbar as eleições. O inimigo não conseguiu”, declarou Sobyanin.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, por sua vez, afirmou que os ataques realizados por Kiev “tiveram um impacto muito importante na região de Moscou”.

As eleições parlamentares começaram na sexta-feira (18) e terminam neste domingo, às 21h no horário local (15h de Brasília). A votação renovará as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo.

O partido governista Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin, é apontado como favorito à vitória. A legenda venceu todas as eleições parlamentares realizadas desde 2003. Também disputam o pleito o Partido Comunista, o nacionalista LDPR, o conservador Rússia Justa e o liberal Gente Nova.

O partido liberal Yabloko, que se posiciona contra a guerra, foi excluído da disputa por decisão do Supremo Tribunal.

Estas são as primeiras eleições legislativas realizadas desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Nos últimos meses, o conflito passou a ter efeitos mais perceptíveis no cotidiano da população russa, enquanto a Ucrânia intensificou ataques contra alvos em território russo, incluindo regiões distantes como os Urais e a Sibéria.

Entre os impactos estão ataques contra refinarias, que contribuíram para a escassez de combustível em algumas áreas.

A participação eleitoral também é uma das questões acompanhadas pelas autoridades. Segundo a Comissão Eleitoral Central, a taxa de comparecimento ultrapassou 50% neste domingo.

Antes do pleito, Putin convocou os russos a votar e afirmou que a participação representaria uma demonstração de apoio às tropas russas e uma “resposta conjunta daqueles que querem enfraquecer a Rússia”.

Ciberataques

Além dos ataques com drones, a Comissão Eleitoral Central informou neste domingo que quase mil ciberataques foram registrados contra a infraestrutura das eleições.

A presidente do órgão, Ella Pamfilova, não apontou um responsável específico, mas afirmou que os ataques foram realizados por “grupos altamente profissionais e bem coordenados que utilizam ferramentas de inteligência artificial”.

A votação também ocorre de forma eletrônica em quase 30 regiões da Rússia.

No campo da oposição, a viúva do opositor Alexei Navalny, Yulia Navalnaya, pediu que russos contrários à guerra votassem de forma coordenada ao meio-dia deste domingo, estratégia semelhante à utilizada nas eleições presidenciais de 2024.

O Yabloko, porém, defendeu a abstenção.

Navalny, principal opositor de Putin, morreu em uma prisão no Ártico em 2024. Desde então, muitos adversários do Kremlin deixaram o país e passaram a atuar no exílio.

Em Berlim, uma das cidades com grande concentração de russos vivendo fora do país, grupos ligados à oposição realizaram manifestações com gritos como “A Rússia será livre” e “Não à guerra”.

Redação ANH




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