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Maceió,28/09/2026

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Rede municipal do Ceará tem mais de 89 mil alunos autistas matriculados

Assessoria
Rede municipal do Ceará tem mais de 89 mil alunos autistas matriculados Educação especial visa desenvolvimento integral do aluno. Foto: Kid Júnior

Educação inclusiva no Ceará avança, mas atendimento a crianças autistas ainda enfrenta desafios

A educação inclusiva de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) avançou nos últimos anos no Ceará, mas ainda enfrenta desafios relacionados à estrutura das escolas, à formação de profissionais e à oferta de atendimento especializado.

Embora estudantes autistas tenham direito à educação e ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) há quase duas décadas, uma mudança na política nacional ocorreu em outubro de 2025, com a instituição da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (Pneei). A medida ampliou o foco das políticas públicas, que passaram a considerar não apenas o acesso às escolas, mas também a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes.

No Ceará, dados do Ministério da Educação (MEC) apontam que as redes municipais têm 126.106 matrículas de estudantes da educação especial. Desse total, 89.828 são de crianças autistas, que passaram a representar uma parcela significativa do público atendido pelo AEE.

Segundo os dados, 74,1% dos estudantes autistas são beneficiados pelo Atendimento Educacional Especializado, que oferece atividades e recursos pedagógicos complementares ao ensino regular.

Atendimento vai além da matrícula

Dados do Censo Escolar 2025 mostram que 96,6% das escolas municipais do Ceará têm estudantes da Educação Especial. Além disso, 87,5% das unidades possuem itens de acessibilidade considerados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Em Fortaleza, a rede municipal possui a terceira maior matrícula de estudantes da Educação Inclusiva do país, segundo o Censo Escolar 2025. O atendimento especializado está disponível em todas as escolas municipais da capital.

Na Região Metropolitana de Fortaleza, o município de Itaitinga adotou uma iniciativa para complementar o trabalho realizado pelo AEE. Criado em julho de 2025, o Atendimento Educacional Inclusivo (AEI) já funciona em 24 das 30 escolas da rede municipal.

O programa foi criado diante do aumento de diagnósticos de deficiências e neurodivergências no município, que atualmente possui 1.217 crianças matriculadas na educação especial. Segundo a coordenação do projeto, a maior parte dos estudantes atendidos tem diagnóstico de autismo.

O AEI conta com acompanhamento individualizado de psicopedagogos e pedagogos. Em escolas que possuem mais de 80 alunos com deficiência, a equipe é ampliada.

Segundo a Secretaria de Educação de Itaitinga, a proposta é complementar o AEE e aproximar a escola das famílias. O acompanhamento também considera questões do cotidiano dos estudantes e registra desafios e avanços ao longo do processo de aprendizagem.

Para a coordenadora do AEI, Adriana Aguiar, a proposta é ampliar a compreensão sobre inclusão para além da matrícula. A intenção é acompanhar o desenvolvimento dos estudantes considerando suas necessidades, dificuldades e possibilidades.

Formação de profissionais é um dos desafios

Para a psicopedagoga Luciana Bem, o percentual de estudantes atendidos pelo AEE mostra que o Ceará ainda está em processo de consolidação das políticas de inclusão, mas também representa avanços na garantia de direitos.

Segundo ela, as ações precisam envolver não apenas adaptações curriculares e pedagógicas, mas também recursos de comunicação, formas diferenciadas de avaliação e suporte adequado aos profissionais que acompanham os estudantes.

A especialista ressalta ainda que existem diferenças entre as redes pública e privada. Segundo ela, enquanto escolas particulares têm buscado se adaptar às demandas apresentadas pelas famílias, a rede pública avança principalmente por meio das políticas educacionais e da ampliação do conhecimento sobre as diferentes condições de neurodivergência.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que as escolas públicas do Ceará possuem maior presença de Salas de Recursos Multifuncionais e profissionais de apoio do que as instituições privadas.

De acordo com os dados, 45% das escolas públicas possuem Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) ou bilíngues de surdos, enquanto o percentual entre as instituições privadas é de 14,8%. Já a presença de profissionais de apoio para alunos com deficiência chega a 48,2% na rede pública e a 3,3% na rede privada.

Apesar dos avanços, a formação dos profissionais continua sendo apontada como uma das principais necessidades para garantir um atendimento adequado.

Segundo Luciana Bem, não basta ampliar o número de profissionais de apoio. É necessário investir na capacitação de professores e dos demais integrantes da comunidade escolar, além de garantir recursos pedagógicos e estrutura adequada.

A psicopedagoga destaca que um dos principais desafios está no atendimento de estudantes autistas que necessitam de maior nível de suporte. Nesses casos, segundo ela, são necessárias metodologias específicas, profissionais com formação mais aprofundada e recursos pedagógicos adaptados.

O cenário mostra que a ampliação das matrículas representa apenas uma etapa do processo de inclusão. Para especialistas e gestores, a consolidação da educação inclusiva depende da combinação entre acesso à escola, aprendizagem, estrutura adequada, formação profissional e participação das famílias.

Redação ANH/CE




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