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Maceió,27/10/2026

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Lula reverte resultado do primeiro turno e é reeleito presidente

Assessoria
Lula reverte resultado do primeiro turno e é reeleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva (JUAN BARRETO / AFP)

Lula é reeleito presidente e terá quarto mandato à frente do Brasil

Petista vence Flávio Bolsonaro no segundo turno com 51,79% dos votos válidos e promete ampliar programas sociais, reduzir a jornada de trabalho e reforçar a segurança pública

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com o resultado, Lula garantiu um quarto mandato presidencial pelo voto popular e permanecerá no Palácio do Planalto até o fim de 2030. <Cite refs={["turn459853search0","turn459853search5"]}/>

Com 100% das seções eleitorais totalizadas, Lula recebeu 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos. A vitória ocorreu após uma disputa acirrada, na qual o petista conseguiu reverter a desvantagem registrada no primeiro turno. <Cite refs={["turn459853search0","turn459853search2"]}/>

O resultado marca um novo capítulo na trajetória política de Lula, que iniciou a carreira pública no movimento sindical e chegou à Presidência pela primeira vez em 2003. Para o próximo mandato, o presidente terá de conciliar a continuidade de programas sociais com as cobranças relacionadas à segurança pública, ao custo de vida, ao endividamento das famílias e ao equilíbrio das contas públicas.

Durante a campanha, Lula apresentou propostas para o mercado de trabalho, a habitação, a saúde, a educação e a segurança. Entre os principais compromissos estão o fim da escala de trabalho 6x1, a redução da jornada semanal para 40 horas sem diminuição salarial, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida e a criação de um Ministério da Segurança Pública.

Do sindicalismo à Presidência

Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, Lula deixou o estado ainda criança, quando sua família se mudou para São Paulo. Antes de ingressar na política, trabalhou como metalúrgico e ganhou projeção nacional ao liderar o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, durante as grandes greves operárias do fim da década de 1970.

Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), que se consolidaria como uma das principais forças políticas do país. Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte por São Paulo.

Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, quando foi derrotado por Fernando Collor de Mello. Também perdeu as eleições de 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso.

A primeira vitória presidencial ocorreu em 2002, quando derrotou José Serra (PSDB). Reeleito em 2006, Lula permaneceu no cargo até 2010. O período foi marcado pela expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, pelo crescimento econômico e pela ampliação do acesso ao ensino superior. Seus governos também enfrentaram denúncias e escândalos de corrupção, entre eles o mensalão.

Fora da Presidência, o petista enfrentou um dos períodos mais turbulentos de sua trajetória política. Preso em abril de 2018, no âmbito da Operação Lava Jato, permaneceu detido por 580 dias, até novembro de 2019. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou suas condenações por questões relacionadas à competência da Justiça Federal de Curitiba e reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos processos.

Com os direitos políticos restabelecidos, Lula voltou a disputar a Presidência em 2022 e derrotou Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição. A vitória marcou seu retorno ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023.

O novo governo começou em um cenário de forte polarização política. Uma semana após a posse, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em ataques às instituições democráticas.

Em 2026, Lula voltou a enfrentar um representante da família Bolsonaro, desta vez o senador Flávio Bolsonaro, em uma eleição marcada pela polarização entre os dois campos políticos.

As promessas para o quarto mandato

A redução da jornada de trabalho foi uma das principais bandeiras de Lula durante a campanha. O programa apresentado à Justiça Eleitoral prevê o fim da escala 6x1, modelo em que o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias e tem um dia de descanso, além da redução da carga semanal para 40 horas, sem corte salarial.

A implementação das medidas, porém, depende de mudanças na legislação e de articulação com o Congresso Nacional. O presidente também defende a continuidade da política de valorização do salário mínimo acima da inflação e a ampliação da proteção trabalhista e previdenciária para motoristas e entregadores de aplicativos.

Na área social, a proposta é manter o Bolsa Família e ampliar o Minha Casa, Minha Vida, com novas unidades habitacionais destinadas a famílias de diferentes faixas de renda. O planejamento também inclui investimentos em urbanização de comunidades, saneamento básico e regularização fundiária.

Na economia, Lula pretende dar continuidade ao arcabouço fiscal, conciliando as regras para as contas públicas com investimentos públicos e privados, estímulo à indústria nacional e ampliação do crédito. O programa também prevê o aprofundamento da tributação progressiva, com maior cobrança sobre contribuintes de renda elevada.

A segurança pública aparece entre os principais desafios do próximo governo. Lula propõe ampliar a integração entre União, estados e municípios, fortalecer o combate às facções criminosas e à lavagem de dinheiro e criar um Ministério da Segurança Pública, separado do Ministério da Justiça.

Na saúde, as propostas incluem ampliar o Mais Médicos, reduzir as filas de consultas e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) e utilizar ferramentas de inteligência artificial para melhorar a organização dos atendimentos.

Para a educação, o presidente pretende manter o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro à permanência de estudantes no ensino médio, além de ampliar a oferta de vagas em escolas de tempo integral, creches e institutos federais.

O plano de governo também prevê ações voltadas à transição energética, à preservação ambiental e ao combate ao desmatamento. Na infraestrutura, a expectativa é ampliar os investimentos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na política externa, a tendência é manter a estratégia de fortalecimento das relações com países do Sul Global, a participação brasileira no Brics e a integração regional por meio do Mercosul.

Desafios para os próximos quatro anos

Com a reeleição, Lula terá pela frente o desafio de transformar as promessas de campanha em políticas públicas. A execução das propostas dependerá, em parte, da capacidade de negociação com um Congresso Nacional fragmentado, além da disponibilidade de recursos e das condições econômicas do país.

A redução da jornada de trabalho, a ampliação dos programas sociais, o combate à criminalidade e a melhoria dos serviços públicos devem estar entre os temas de maior cobrança sobre o novo governo.

O quarto mandato também será acompanhado pelas expectativas em torno do crescimento econômico, da geração de empregos, do poder de compra das famílias e da sustentabilidade das contas públicas. Os resultados dessas áreas deverão influenciar a avaliação da administração ao longo dos próximos quatro anos.

Redação ANH




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