Organizações indígenas cobram de Lula demarcação de todas as terras até 2030
A carta também pontua que os povos indígenas querer contribuir diretamente com a construção do quarto mandato do presidente Lula, que começa em 2027. (Carlos Vieira CB/DA Press) A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e outras sete organizações regionais enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando o compromisso de demarcar todas as terras indígenas do país até 2030. O documento também pede que o governo avance ainda em 2026 na demarcação de 73 territórios que já foram declarados e aguardam apenas a assinatura presidencial.
Na carta, as entidades defendem que a conclusão das demarcações represente um legado do governo Lula e destacam a importância da proteção dos territórios para as próximas gerações. As organizações também solicitaram uma reunião com o presidente para apresentar propostas voltadas às políticas indígenas no próximo mandato.
O documento foi divulgado em meio a denúncias de violência contra comunidades indígenas após o segundo turno das eleições. Segundo a Apib, foram registradas mais de 30 denúncias, principalmente envolvendo os povos Guarani e Kaiowá, em Mato Grosso do Sul.
Entre os relatos estão ameaças, assassinatos, atropelamentos, incêndios e possíveis tentativas de envenenamento de fontes de água utilizadas pelas comunidades.
Na quinta-feira (29), um incêndio atingiu a residência de uma liderança indígena na Aldeia Jaguapiré, a cerca de 410 quilômetros de Campo Grande. A rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos, perdeu a casa e instrumentos sagrados utilizados em cerimônias tradicionais.
Diante das denúncias, o Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar os casos. A Fundação dos Povos Indígenas (Funai) também acompanha a situação e mantém diálogo com lideranças locais e o Ministério Público Federal (MPF).
Propostas para o próximo governo
Além de cobrar medidas imediatas de proteção às comunidades ameaçadas, as organizações defendem a participação do movimento indígena na construção das políticas públicas do próximo governo, previsto para começar em 2027.
A carta também pede uma posição firme contra a mineração em terras indígenas, especialmente diante do interesse crescente por minerais críticos e estratégicos, como as terras raras.
As entidades ainda criticam iniciativas do Congresso Nacional relacionadas ao marco temporal e outras medidas que, segundo elas, representam ameaças aos direitos dos povos originários.
O documento foi assinado pela Apib e por outras sete organizações regionais, incluindo representantes dos povos indígenas do Nordeste, Sudeste, Sul e Amazônia.
Redação ANH






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