Aeris pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 1,52 bilhão no Ceará.
Aeris Energy, fábrica da pás eólicas do Complexo do Pecém, acumula mais de R$ 1 bilhão em dívidas. Foto: Divulgação/Aeris Fabricante cearense de pás eólicas pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 1,52 bilhão
A fabricante cearense de pás eólicas Aeris entrou com pedido de recuperação extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A informação foi divulgada pela companhia em comunicado ao mercado nesta quarta-feira (4). A medida busca renegociar pouco mais de R$ 1,52 bilhão em obrigações financeiras e readequar a estrutura de capital da empresa, cuja principal unidade industrial funciona no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará.
O plano de reestruturação abrange exclusivamente dívidas financeiras e títulos emitidos no mercado de capitais sem garantia real, referentes a obrigações apuradas até 31 de outubro de 2026. Ficam de fora os débitos trabalhistas e tributários, além dos compromissos com fornecedores de insumos e serviços operacionais.
Segundo a empresa, a iniciativa busca preservar o funcionamento das unidades industriais e garantir a continuidade dos contratos de fornecimento com fabricantes de aerogeradores e geradoras de energia.
O pedido foi apresentado ao Judiciário com o apoio formal de credores que representam 42,18% dos créditos incluídos na negociação. O percentual supera o mínimo de um terço exigido pela Lei nº 11.101/2005 para dar início ao processo.
Com o protocolo, a companhia passa a contar com a suspensão das execuções e cobranças judiciais relacionadas às dívidas abrangidas pelo plano. A Aeris terá 90 dias para conquistar o apoio de credores que representem mais de 50% dos créditos elegíveis, percentual necessário para a homologação judicial do acordo.
Entre as condições previstas na negociação estão a ampliação dos prazos de vencimento das dívidas, a repactuação de garantias, a revisão das taxas e a possibilidade de captação de novos recursos por meio do mecanismo conhecido como DIP financing.
A diretoria informou que a recuperação extrajudicial ficará restrita à esfera financeira e não deverá afetar as operações industriais. O objetivo é preservar empregos, a arrecadação fiscal e o cumprimento dos contratos da companhia.
O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e ainda será submetido à Assembleia Geral Extraordinária (AGE), cuja convocação dos acionistas não tem data definida.




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