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Maceió,14/06/2026

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Jovem relata alucinações e perda de esperança após dias perdido na montanha

Assessoria
Jovem relata alucinações e perda de esperança após dias perdido na montanha Rapaz chegou sozinho à base da montanha após andar mais de 20 quilômetros. Foto: Reprodução/RPC

Segue um texto jornalístico mais amplo e aprofundado, com foco informativo e contextual:

O jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, resgatado com vida após permanecer cinco dias desaparecido no Pico Paraná, afirmou que chegou a acreditar que não seria encontrado e que morreria na montanha, localizada na Serra do Mar paranaense. O relato foi feito nesta segunda-feira (5), em entrevista à emissora RPC, quando o jovem descreveu os momentos de angústia vividos durante o período em que esteve perdido.

Segundo Roberto, o isolamento, o cansaço extremo e a falta de orientação fizeram com que ele perdesse a esperança em alguns momentos. “Achei que era o fim”, disse. O jovem contou que teve alucinações e enfrentou episódios de desespero, mas afirmou que a fé e o pensamento na família foram determinantes para continuar lutando pela sobrevivência. “Pedi forças a Deus, à minha mãe e pensei em toda a minha família. Só pedia para conseguir voltar para casa bem”, relatou.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, Roberto conseguiu retornar sozinho à base da montanha na manhã desta segunda-feira, após caminhar mais de 20 quilômetros em meio à mata fechada. O tenente-coronel Ícaro Gabriel, porta-voz da corporação, informou que o jovem chegou a uma fazenda no município de Antonina, onde pediu ajuda e solicitou um telefone celular. Com o aparelho, entrou em contato com a irmã para avisar que estava vivo.

Em entrevista exibida nesta terça-feira (6) no programa “Encontro com Patrícia Poeta”, da TV Globo, Roberto explicou como se perdeu durante a trilha. Ele contou que, ao chegar a uma bifurcação, escolheu um dos caminhos e acabou escorregando. “Havia um trecho sem sinalização e outro sinalizado. Fui pelo sinalizado, mas escorreguei por uma ladeira e caí em uma área de cachoeira. Tentei subir com todas as forças, mas não consegui voltar para a trilha”, explicou.

Sem conseguir retornar ao percurso original, o jovem decidiu seguir pela cachoeira e passou a se orientar pelo curso de um rio, na tentativa de chegar à base da montanha. Durante o trajeto, enfrentou situações de alto risco, incluindo episódios em que quase se afogou. “Seguindo o rio, cheguei a uma ribanceira e pensei que, se pulasse, iria morrer. Quando olhei para o lado e vi algumas construções, agradeci a Deus, porque percebi que havia pessoas por perto”, relembrou.

Após ser localizado, Roberto foi encaminhado ao Hospital Municipal de Antonina, onde permanece internado sob observação médica. Até o momento, não há previsão de alta.

O desaparecimento ocorreu na noite de Réveillon, em 31 de dezembro de 2025, quando Roberto e a amiga Thayane Smith decidiram subir o Pico Paraná para assistir ao primeiro nascer do sol do ano. Segundo os bombeiros, os dois chegaram juntos ao cume da montanha por volta das 4h da quinta-feira (1º). Após um período de descanso, iniciaram a descida por volta das 6h30, acompanhados por um grupo que encontraram no topo.

Durante o trajeto de descida, Roberto acabou se separando do grupo e não foi mais visto. As buscas começaram ainda na tarde do mesmo dia e mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros, além de voluntários. As operações contaram com o uso de drones e de um helicóptero equipado com câmera térmica, devido à dificuldade de acesso e às condições da região.

O Pico Paraná está localizado no município de Antonina e possui 1.877 metros de altitude, sendo o ponto mais alto do estado do Paraná e de toda a Região Sul do Brasil. A montanha integra o Parque Estadual Pico Paraná, que reúne seis picos acima de 1.690 metros de altitude. A trilha até o cume tem cerca de 15,2 quilômetros (ida e volta), exige elevado esforço físico e apresenta alto risco de acidentes graves, conforme alerta o Instituto Água e Terra, órgão responsável pela administração ambiental da área.

Redação ANH/PR




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