Tragédia nos trilhos: colisão entre trens mata 39 pessoas na Espanha
O número de mortos na tragédia aumentou durante a noite, chegando a 39 na manhã desta segunda-feira (19). Foto: JORGE GUERRERO / AFP Acidente entre trens deixa ao menos 39 mortos e mais de 120 feridos no sul da Espanha
Um grave acidente ferroviário envolvendo dois trens deixou pelo menos 39 pessoas mortas e cerca de 123 feridas na noite deste domingo (18), na província de Córdoba, região da Andaluzia, no sul da Espanha. A tragédia é considerada uma das mais graves do sistema ferroviário espanhol nos últimos anos.
De acordo com o Ministério do Interior, o número de mortos aumentou ao longo da madrugada e foi confirmado na manhã desta segunda-feira (19). Inicialmente, as autoridades haviam informado 21 vítimas fatais. Entre os feridos, cinco estão em estado grave e outros 24 permanecem em condição crítica.
Os serviços de emergência da Andaluzia informaram que as vítimas foram socorridas e encaminhadas para hospitais das cidades de Córdoba e Andújar. Equipes médicas, bombeiros e forças de segurança atuaram durante toda a noite no resgate dos passageiros, com apoio de voluntários da região.
Dinâmica do acidente
O acidente ocorreu por volta das 19h45 (horário local), nas proximidades da estação de Andamuz. Segundo a administradora pública da rede ferroviária espanhola, a Adif, um trem da empresa Iryo, que fazia o trajeto entre Málaga e Madri, descarrilou por motivos ainda desconhecidos e invadiu a linha paralela.
Nesse momento, um trem da companhia Renfe, que seguia de Madri para Huelva, trafegava pelo local e acabou colidindo com os vagões que haviam saído dos trilhos. Com o impacto, o segundo trem também descarrilou.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, explicou que a parte frontal do trem da Renfe atingiu um ou mais vagões que haviam cruzado a via férrea. Ele classificou o acidente como “extremamente estranho” e afirmou que ainda não há uma explicação clara para o ocorrido.
Cenas de resgate e relatos de passageiros
Imagens divulgadas pela televisão pública espanhola e por agências internacionais mostraram vagões completamente fora dos trilhos, alguns inclinados, cercados por ambulâncias e equipes de resgate. Profissionais de saúde prestavam atendimento no local, enquanto passageiros feridos eram retirados das composições.
Relatos de sobreviventes indicam momentos de pânico logo após a colisão. Passageiros descreveram um forte impacto seguido de gritos e confusão dentro dos vagões. Muitos ficaram feridos por estilhaços de vidro e pelo deslocamento brusco causado pelo choque.
Investigação e repercussão
Até o momento, as autoridades não divulgaram as causas do acidente. Óscar Puente destacou que o trem da Iryo envolvido na tragédia tinha apenas quatro anos de uso e que o trecho ferroviário havia passado recentemente por uma reforma completa, o que aumenta o mistério em torno do ocorrido.
Especialistas ferroviários estão no local e uma investigação oficial foi aberta para apurar as circunstâncias do acidente. Técnicos irão analisar os sistemas de segurança, sinalização e as condições da via e dos trens.
A Casa Real da Espanha manifestou preocupação com a tragédia. O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou compromissos oficiais previstos para esta segunda-feira e publicou uma mensagem de solidariedade às famílias das vítimas, afirmando que o país vive um momento de “profunda dor”.
Como medida emergencial, a Adif informou que as linhas de alta velocidade entre Madri e o sul da Espanha permanecerão suspensas temporariamente. Em estações da capital espanhola e de cidades da Andaluzia, foram montados espaços de acolhimento para familiares em busca de informações sobre passageiros.
Redação ANH





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