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Venezuela liberta ao menos 80 presos políticos sob pressão internacional

Assessoria
Venezuela liberta ao menos 80 presos políticos sob pressão internacional Instalação e prisão pertencente ao governo venezuelano é usada para prisioneiros comuns e políticos do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional. (SEBIN) (RONALDO SCHEMIDT / AFP)

A libertação de ao menos 80 presos políticos neste domingo (25) marca mais um capítulo do lento processo de soltura de detidos na Venezuela, realizado sob forte pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pela ONG Foro Penal, referência no monitoramento de prisões por motivação política no país.

As liberações ocorrem em meio a um cenário político profundamente instável, após a queda de Nicolás Maduro, capturado no início de janeiro durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. Desde então, o país é governado interinamente por Delcy Rodríguez, que assumiu o comando prometendo avanços na pauta dos direitos humanos e a libertação de um “número expressivo” de presos políticos.

Apesar do anúncio oficial, organizações da sociedade civil e lideranças da oposição denunciam a morosidade do processo e a falta de transparência nas informações divulgadas pelo governo. Familiares de detentos continuam concentrados em frente a presídios em diversas regiões do país, muitos permanecendo por horas ou até dias no local, à espera de notícias sobre a liberação de parentes.

Segundo o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, pelo menos 80 solturas já foram confirmadas neste domingo em diferentes estados venezuelanos. A entidade, no entanto, ressalta que o número ainda está em verificação e pode ser ampliado conforme novos casos sejam confirmados. O advogado Gonzalo Himiob, também integrante da ONG, informou que as libertações ocorreram principalmente durante a madrugada.

O governo venezuelano, por sua vez, afirma que 626 pessoas foram libertadas desde dezembro. Delcy Rodríguez declarou que os dados serão submetidos à verificação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A contagem oficial, entretanto, diverge significativamente dos números apresentados por organizações independentes, que apontam cerca da metade desse total no mesmo período.

Estimativas de entidades de direitos humanos indicam que a Venezuela ainda mantém entre 800 e 1.200 presos políticos, muitos deles detidos após manifestações contra a contestada reeleição de Maduro em 2024. Na ocasião, protestos espontâneos foram duramente reprimidos pelas forças de segurança, resultando na prisão de mais de 2.000 pessoas em apenas 48 horas.

Além disso, segue em vigor no país um estado de comoção interna que prevê penas de prisão para cidadãos acusados de apoiar a intervenção militar norte-americana, medida criticada por organismos internacionais por restringir liberdades civis e políticas.

A rodada mais recente de libertações ocorre após um discurso de Rodríguez no qual a presidente interina defendeu a necessidade de diálogo com a oposição. Em pronunciamento realizado no sábado, no estado de La Guaira, ela afirmou que a pacificação do país deve estar acima de divergências partidárias. “Não pode haver diferenças políticas quando o objetivo é a paz da Venezuela”, declarou.

Nos últimos dias, figuras de destaque da oposição começaram a ser libertadas. Entre elas estão Rafael Tudares, genro do ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que estava preso há mais de um ano sob acusações de terrorismo; o ex-presidenciável Enrique Márquez; a especialista em assuntos militares e defensora de direitos humanos Rocío San Miguel; e o jornalista e ativista Roland Carreño.

Apesar disso, nomes relevantes seguem detidos. Juan Pablo Guanipa, aliado próximo de María Corina Machado, permanece preso sob suspeita de envolvimento em uma suposta conspiração contra as eleições regionais e legislativas previstas para 2025. Também continuam encarcerados Freddy Superlano, preso durante protestos em julho de 2024, e Javier Tarazona, detido desde 2021 sob acusações de terrorismo, traição à pátria e incitação ao ódio.

No campo internacional, o governo interino de Rodríguez tenta sinalizar uma reaproximação gradual com Washington, após anos de relações marcadas por sanções e confrontos diplomáticos. A operação militar dos Estados Unidos que resultou na deposição de Maduro deixou cerca de 100 mortos, segundo estimativas preliminares.

Atualmente, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, respondem a processos na Justiça dos Estados Unidos, em Nova York, acusados de envolvimento com o narcotráfico. Enquanto isso, a comunidade internacional segue acompanhando de perto o processo de transição política na Venezuela, cobrando avanços concretos na libertação de presos políticos e na reconstrução das instituições democráticas do país.

Redação ANH




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