PF identifica conexões com Bolívia e Paraguai em caso de tráfico no Ceará
Os quase 250 kg de cocaína foram apreendidos na BR-222, em Caucaia. Foto: Reprodução/Relatório PF A apreensão de quase 250 quilos de cocaína na BR-222, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, revelou um possível esquema internacional de tráfico de drogas e resultou na abertura de ação penal na Justiça Federal. A operação, realizada em abril de 2024, levou à prisão de três homens e passou a ser investigada pela Polícia Federal, com denúncia formal apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF).
Ao todo, foram apreendidos 248,9 quilos de cocaína escondidos em um caminhão abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na madrugada de 14 de abril de 2024, no km 11 da rodovia federal. A carga ilícita estava oculta na estrutura do veículo de carga, que, segundo os agentes, trafegava sem nota fiscal e sem manifesto, levantando suspeitas durante fiscalização de rotina orientada pelo setor de inteligência da corporação.
As investigações apontam que o caminhão era escoltado por um Toyota Corolla, identificado como “batedor” — termo utilizado para designar veículos que acompanham carregamentos ilegais com o objetivo de monitorar o trajeto e alertar sobre barreiras policiais. O carro era ocupado por dois homens e teria atuado diretamente na logística do transporte da droga.
Foram presos em flagrante Carlos Ricardo Zago, motorista do caminhão; Delmir Fanin, condutor do Corolla; e Jorge Antônio Quiñonez Gonzalez, passageiro do veículo de apoio. De acordo com o MPF, há indícios de que os três atuaram de forma coordenada e com divisão de tarefas previamente estabelecida. Delmir já possui condenação anterior por tráfico de drogas, o que também foi destacado na denúncia.
A análise pericial dos celulares apreendidos revelou troca de mensagens entre os investigados, além de contatos com números da Bolívia e do Paraguai. Para a Polícia Federal, esses registros reforçam a hipótese de que a droga tenha origem estrangeira, especialmente porque a Bolívia figura como um dos principais países fornecedores de cocaína nas investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão às Drogas no Ceará. O fato de um dos réus ser cidadão paraguaio também é citado como elemento que sustenta o caráter transnacional do esquema.
Dados de monitoramento de tráfego indicam que os veículos percorreram rotas por estados do Nordeste antes da abordagem. Registros apontam que caminhão e Corolla circularam juntos em cidades do Maranhão, Piauí e Ceará nos dias que antecederam a apreensão, mantendo pequena diferença de tempo entre as passagens por postos de fiscalização eletrônica.
O processo encontra-se na fase de instrução, momento em que são produzidas provas e ouvidas testemunhas. No último dia 10 de fevereiro, o Ministério Público Federal apresentou alegações finais pedindo a condenação dos três acusados por tráfico de drogas e associação para o tráfico, com aplicação de agravante em razão da transnacionalidade do crime. O órgão também solicitou à Justiça a perda definitiva dos veículos utilizados na ação — o caminhão Volvo onde a cocaína foi escondida e o Corolla apontado como carro de escolta.
As defesas contestam as acusações. Os advogados de Carlos Ricardo Zago afirmaram que apresentaram memoriais técnicos sustentando a fragilidade das provas e ressaltaram que cabe exclusivamente ao Judiciário a análise dos fatos. A defesa de Jorge Antônio Quiñonez Gonzalez declarou que pretende demonstrar a inocência do cliente com base nas provas técnicas produzidas ao longo da instrução. Até o momento, não houve manifestação pública da defesa de Delmir Fanin.
O caso segue sob apreciação da Justiça Federal, que deverá decidir, após o encerramento da instrução processual, se acolhe ou não o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público.
Redação ANH/CE








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