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Maceió,12/03/2026

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Embaixador do Irã acusa EUA de não buscarem acordo nuclear real

Assessoria
Embaixador do Irã acusa EUA de não buscarem acordo nuclear real Abdollah Nekounam conversou com jornalistas em Brasília sobre ataques - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou que os Estados Unidos não demonstram disposição concreta para firmar um acordo nuclear com Teerã. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada na embaixada iraniana, em Brasília, nesta segunda-feira (2), em meio ao agravamento do conflito envolvendo também Israel.

Segundo o diplomata, havia expectativa para a realização de uma reunião técnica em Viena, na Áustria, com mediação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), voltada à discussão de temas relacionados ao programa nuclear iraniano. No entanto, ele sustentou que as tratativas foram novamente prejudicadas por ações atribuídas aos Estados Unidos e a Israel, o que, na avaliação de Teerã, enfraquece qualquer perspectiva de avanço diplomático.

Durante a entrevista, Nekounam afirmou que o Irã tem reiterado sua disposição para negociar, desde que haja respeito à soberania nacional e garantias de cumprimento dos compromissos assumidos. Para o representante iraniano, o impasse atual estaria ligado a interesses geopolíticos mais amplos, e não apenas à questão nuclear. Ele classificou como “injustificável” a pressão militar e política exercida contra seu país e reiterou que o programa nuclear iraniano possui finalidade pacífica, voltada à geração de energia e ao desenvolvimento científico.

O embaixador também comentou a morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no último sábado (28). De acordo com ele, a transição de comando ocorreu de forma imediata, com a criação de um Conselho de Liderança Interino responsável por manter a estabilidade institucional e a condução das políticas estratégicas do Estado. A escolha do novo líder definitivo caberá à Assembleia dos Especialistas, conforme prevê o sistema político iraniano.

Nekounam ressaltou que, apesar do momento delicado, as estruturas administrativas e de defesa permanecem em funcionamento pleno. “A gestão do país segue ativa e organizada, sem descontinuidade”, afirmou, ao rebater análises que apontavam possível fragilidade interna após a morte de Khamenei.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que o conflito extrapola a esfera nuclear e envolve disputas estratégicas na região, incluindo o equilíbrio de forças no Oriente Médio e a contenção da influência de potências como a China. Já Estados Unidos e Israel defendem que as ações militares têm caráter preventivo, sob a alegação de que o Irã estaria avançando no desenvolvimento de armamentos nucleares — acusação que Teerã nega de forma categórica.

Questionado sobre a posição brasileira diante do conflito, o diplomata agradeceu a manifestação do Ministério das Relações Exteriores, que condenou o uso da força e defendeu o respeito à soberania e à integridade territorial dos países envolvidos. Para Nekounam, a postura do Brasil demonstra compromisso com o direito internacional e com a solução pacífica de controvérsias.

Ao final, o embaixador reafirmou que eventuais ações militares iranianas são, segundo sua avaliação, medidas de legítima defesa, direcionadas a bases consideradas estratégicas de adversários. Ele enfatizou que o país permanece aberto ao diálogo, desde que as negociações ocorram em condições de igualdade e respeito mútuo.

A crise atual reforça o clima de incerteza na região e reacende o debate internacional sobre segurança nuclear, equilíbrio geopolítico e os limites da diplomacia em contextos de confronto armado.

Redação ANH




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