EUA e China realizam nova rodada de negociações comerciais em Paris
Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. (Foto: JIM WATSON/AFP) Estados Unidos e China devem se reunir nesta semana em Paris para mais uma rodada de negociações comerciais voltadas a temas estratégicos e sensíveis da relação econômica entre as duas maiores potências do mundo. A expectativa é que as conversas avancem em pontos considerados prioritários, como tarifas comerciais, acesso a minerais de terras raras e regras para investimentos bilaterais.
A delegação norte-americana será liderada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, enquanto a comitiva chinesa estará sob o comando do vice-primeiro-ministro He Lifeng, um dos principais responsáveis pela política econômica do país asiático. O encontro ocorre em um momento em que Washington e Pequim tentam reduzir tensões comerciais acumuladas ao longo dos últimos anos.
Segundo informações divulgadas pelo jornal South China Morning Post, as duas delegações pretendem transformar parte das discussões em compromissos concretos, que poderiam servir como base para acordos mais amplos. Esses possíveis avanços poderiam ser apresentados em um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, que está previsto para acontecer em Pequim entre 31 de março e 2 de abril.
Apesar das expectativas em torno da reunião de alto nível, o governo chinês ainda não confirmou oficialmente a agenda do encontro presidencial. Autoridades, porém, afirmam que o diálogo entre os dois países continua ativo e ocorre em diferentes níveis diplomáticos e econômicos, o que demonstra a tentativa de manter canais de negociação abertos.
Histórico das negociações
Esta será a sexta rodada de negociações comerciais desde abril do ano passado, período em que Washington iniciou uma nova etapa da disputa econômica com Pequim. Desde então, representantes dos dois países já se reuniram em cidades como Genebra, Londres, Estocolmo, Madri e Kuala Lumpur.
As rodadas anteriores contribuíram para reduzir parte das tarifas impostas mutuamente, que chegaram a ultrapassar 100% durante o momento mais crítico da guerra comercial. Apesar disso, muitos dos temas estruturais que geraram o conflito continuam sem solução definitiva.
Novo cenário jurídico nos EUA
As negociações ganharam um elemento adicional de complexidade após uma decisão histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos, anunciada em fevereiro deste ano. O tribunal anulou as tarifas de 20% impostas anteriormente sobre determinados produtos, decisão que obrigou o governo norte-americano a buscar novos mecanismos legais para manter pressão econômica sobre a China.
Analistas avaliam que a medida pode alterar o equilíbrio das negociações, uma vez que parte da estratégia de Washington estava baseada justamente na aplicação dessas tarifas.
Disputa estratégica
Mesmo com as conversas diplomáticas em andamento, a rivalidade entre Estados Unidos e China vai além de medidas tarifárias. O confronto econômico envolve questões estruturais e estratégicas, como o acesso a mercados, subsídios governamentais a empresas, transferência de tecnologia e o controle das cadeias globais de produção em setores de alta tecnologia.
Outro ponto central é a disputa por minerais de terras raras, fundamentais para a fabricação de produtos eletrônicos, baterias, equipamentos militares e tecnologias de energia limpa. A China domina grande parte da produção e do processamento desses minerais no mundo, o que aumenta a preocupação dos Estados Unidos em garantir acesso seguro a esses recursos.
Expectativa para os próximos passos
Especialistas em comércio internacional afirmam que a reunião em Paris pode representar um passo importante para diminuir tensões, mas ressaltam que um acordo amplo ainda depende de avanços em temas complexos que envolvem interesses estratégicos de longo prazo.
Caso haja progresso nas negociações, os resultados poderão servir de base para discussões mais aprofundadas durante o possível encontro entre Trump e Xi Jinping em Pequim, que pode marcar um novo capítulo na relação econômica entre as duas potências globais.
Redação ANH








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