Lula condiciona entrada de assessor dos EUA à liberação de visto de Alexandre Padilha
Lula diz que assessor de Trump só entrará no país se Padilha entrar nos EUA. (Crysli Viana/DP Foto) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (13) que o assessor do governo do presidente norte-americano Donald Trump, Darren Beattie, não terá autorização para entrar no Brasil enquanto o ministro da Saúde Alexandre Padilha continuar enfrentando restrições para obter visto de entrada nos Estados Unidos.
A declaração foi feita durante agenda oficial no Rio de Janeiro, onde Lula comentou o episódio envolvendo a tentativa de visita de Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o presidente brasileiro, a decisão de impedir a entrada do assessor americano é uma resposta direta ao bloqueio dos vistos ligados ao ministro da Saúde.
Durante o discurso, Lula afirmou que não considera adequado permitir a visita de representantes do governo norte-americano ao país enquanto integrantes de sua equipe enfrentam dificuldades para viajar aos Estados Unidos. Ele ressaltou que o governo brasileiro tem o dever de proteger seus ministros e garantir tratamento diplomático equilibrado entre as duas nações.
O presidente também relembrou que, no ano passado, os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Alexandre Padilha. Na época, o visto do próprio ministro já estava vencido, o que impediu que a medida fosse aplicada diretamente contra ele. Ainda assim, Lula avaliou a decisão como inadequada e afirmou que o governo brasileiro acompanha o caso.
A discussão ganhou novos contornos após o pedido feito pela defesa de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-presidente pudesse receber a visita de Darren Beattie durante a passagem do assessor pelo Brasil.
O requerimento foi analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, que decidiu negar a autorização. Na decisão, Moraes destacou que a visita não havia sido comunicada oficialmente às autoridades diplomáticas brasileiras e que o encontro não fazia parte da agenda institucional prevista para a viagem do assessor norte-americano ao país.
Segundo o ministro do STF, encontros desse tipo precisam seguir procedimentos formais e estar devidamente registrados na programação oficial, especialmente quando envolvem representantes de governos estrangeiros.
A possível visita também foi alvo de preocupação por parte do governo federal. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhou um ofício ao Supremo alertando que a reunião poderia ser interpretada como uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.
No documento enviado ao tribunal, o chanceler argumentou que a visita de um representante oficial de outro país a um ex-presidente da República, sobretudo em um contexto político sensível, poderia gerar questionamentos sobre ingerência externa. Segundo ele, esse tipo de encontro exige cautela diplomática e avaliação institucional.
O pedido de autorização para a visita havia sido protocolado na última terça-feira (10) pela defesa de Jair Bolsonaro. Os advogados solicitaram que o encontro ocorresse na segunda-feira (16) ou na terça-feira (17), datas em que Darren Beattie estaria em missão oficial no Brasil. Também foi solicitado que um tradutor acompanhasse a reunião.
Com a negativa do Supremo Tribunal Federal, a visita não foi autorizada. O episódio acabou ampliando a repercussão política e diplomática do caso, envolvendo o governo brasileiro, autoridades do Judiciário e representantes do governo dos Estados Unidos.
A declaração de Luiz Inácio Lula da Silva reforça a posição do Palácio do Planalto de adotar uma postura de reciprocidade nas relações diplomáticas, enquanto o caso segue repercutindo no cenário político nacional.
Redação ANH/DF








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