Pernambucana se torna a primeira mulher general do Exército Brasileiro
General Cláudia espera que sua história inspire outras mulheres. (KAROL RODRIGUES/DP) A médica pernambucana Claudia Lima Gusmão Cacho entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a alcançar o posto de oficial-general no Exército Brasileiro. Aos 57 anos, a General de Brigada Médica afirmou que espera que sua trajetória sirva de inspiração para outras mulheres que desejam seguir carreira militar.
Em entrevista concedida no Quartel-General do Comando Militar do Nordeste, no Recife, a oficial falou sobre a construção da carreira, os desafios enfrentados ao longo de quase três décadas de serviço e o avanço da presença feminina dentro das Forças Armadas.
Natural de Pernambuco, Claudia destacou que carrega características que considera próprias da identidade nordestina, como coragem, disposição para enfrentar desafios e determinação para abrir novos caminhos. Segundo ela, esses elementos foram fundamentais durante sua trajetória profissional dentro da instituição militar.
Formada em medicina e especialista em pediatria, Claudia ingressou no Exército em 1996 como oficial temporária no 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia. Sem tradição militar na família, ela contou que conheceu a vida no Exército após o casamento com um oficial da força e enxergou na carreira uma oportunidade de conciliar a profissão médica com as constantes movimentações e missões militares.
Dois anos depois, foi aprovada no concurso da Escola de Saúde do Exército, tornando-se oficial de carreira. Ao longo dos anos, ocupou funções em diversas regiões do país, consolidando atuação na área de Saúde Operacional e Hospitalar.
Entre os cargos exercidos, comandou o Hospital de Guarnição de Natal e o Hospital Militar de Área de Campo Grande. Atualmente, dirige o Hospital Militar de Área de Brasília. A promoção ao posto de General de Brigada ocorreu em abril deste ano, após decisão do Alto-Comando do Exército, baseada em critérios como mérito profissional, tempo de serviço, desempenho em funções estratégicas e formação militar.
Ao comentar o pioneirismo feminino, Claudia afirmou que sua chegada ao generalato representa a abertura de portas para outras mulheres dentro da instituição, mas ressaltou que a ascensão profissional deve ser construída com competência, dedicação, disciplina e mérito.
Segundo a oficial, o ambiente militar evoluiu ao longo das últimas décadas e hoje conta com mulheres atuando em áreas operacionais, técnicas e assistenciais. Ela também afirmou nunca ter sofrido resistência pelo fato de ser mulher e disse ter encontrado um ambiente de respeito e acolhimento desde o início da carreira.
Durante a entrevista, a general destacou ainda a incorporação das primeiras mulheres soldados ao serviço militar em Pernambuco, classificando o momento como histórico para o Exército Brasileiro. De acordo com ela, mais de 30 mil jovens se inscreveram em todo o país para participar dessa nova etapa da força.
A oficial também incentivou jovens interessadas na carreira militar a investirem em capacitação física e intelectual. Segundo Claudia, o Exército oferece oportunidades concretas de crescimento profissional para mulheres em diferentes áreas.
Ao abordar o cenário político nacional, a general defendeu a manutenção do Exército como uma instituição de Estado permanente e apartidária. Ela afirmou que a politização das Forças Armadas é prejudicial e ressaltou que a missão da instituição deve permanecer voltada à defesa da pátria e ao apoio à população.
Claudia também destacou o trabalho desenvolvido pelo Exército em operações sociais, ações de saúde, distribuição de água no semiárido, apoio em regiões isoladas da Amazônia e missões humanitárias em diferentes partes do país.
Ao falar sobre o legado que deseja deixar, a general afirmou que espera inspirar outras mulheres a acreditarem que é possível ocupar espaços historicamente masculinos dentro das Forças Armadas brasileiras.
Redação ANH/PE








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