EUA mediam nova rodada de negociações entre Israel e Líbano
Trégua entre Israel e Hezbollah entra em fase decisiva com novas negociações. Líbano (IBRAHIM AMRO / AFP) As negociações entre Israel e Líbano para um possível acordo de paz avançaram de forma positiva nesta sexta-feira, segundo informações divulgadas pela agência France-Presse. De acordo com um alto funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o primeiro dia de conversas em Washington foi marcado por discussões consideradas produtivas entre as delegações dos dois países.
As reuniões foram retomadas nesta sexta-feira na capital norte-americana poucos dias antes do fim do atual cessar-fogo firmado entre israelenses e o grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã. O acordo de trégua expira no próximo domingo, em meio ao aumento das tensões na região.
As conversas ocorrem no Departamento de Estado dos Estados Unidos e são mediadas por diplomatas norte-americanos, já que Israel e Líbano não mantêm relações diplomáticas oficiais. Participam das negociações os embaixadores dos EUA em Israel e no Líbano, Mike Huckabee e Michel Issa, além do diplomata libanês Simon Karam e do embaixador israelense Yechiel Leiter, aliado próximo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Apesar da trégua em vigor desde abril, os confrontos entre Israel e Hezbollah continuam ocorrendo quase diariamente. As duas partes trocam acusações de violações do cessar-fogo, enquanto ataques militares seguem sendo registrados em diferentes regiões do território libanês.
Segundo levantamento da AFP com base em dados oficiais, cerca de 400 pessoas morreram no Líbano desde o início do cessar-fogo, em consequência de ataques israelenses realizados após a entrada em vigor da trégua.
Na véspera da retomada das negociações, Israel intensificou bombardeios contra posições do Hezbollah no sul do Líbano. Um dos ataques atingiu uma rodovia próxima a Beirute, aumentando ainda mais a tensão na região. Benjamin Netanyahu reafirmou recentemente que as operações militares contra o grupo xiita continuarão.
Por outro lado, o Hezbollah criticou as negociações conduzidas nos Estados Unidos e ameaçou ampliar o conflito com o exército israelense caso os ataques continuem. O grupo mantém forte influência política e militar no território libanês.
Enquanto isso, o governo do Líbano tenta consolidar o cessar-fogo e evitar uma escalada militar ainda maior, apesar de não participar diretamente das ações armadas conduzidas pelo Hezbollah.
Paralelamente às negociações entre israelenses e libaneses, o Irã também pressiona os Estados Unidos para que qualquer entendimento regional inclua garantias de interrupção dos ataques israelenses contra o Hezbollah. Já a Casa Branca insiste no desarmamento do grupo xiita e no fortalecimento das instituições do Estado libanês.
Washington considera que um eventual acordo definitivo de paz deve representar uma mudança profunda na dinâmica regional das últimas décadas, marcada pela influência do Hezbollah no Líbano e pelos constantes confrontos na fronteira norte de Israel.
Redação ANH








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