Ceará lidera ações de combate ao peixe-leão no litoral brasileiro
O avanço da invasão biológica da espécie também preocupa a vida marinha no Ceará. Foto: Arquivo pessoal. Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar, vinculado à Universidade Federal do Ceará, participarão de missões de combate ao peixe-leão em importantes áreas de preservação marinha do país. As expedições ocorrerão nos meses de maio e junho no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e no Parque Nacional de Jericoacoara.
A espécie invasora foi identificada pela primeira vez no litoral cearense em 2022 e, desde então, vem se espalhando rapidamente pela costa brasileira. Com alta capacidade de reprodução e ausência de predadores naturais, o peixe-leão é considerado uma ameaça à biodiversidade marinha e também representa riscos à saúde humana devido ao veneno presente em seus espinhos.
O animal possui 18 espinhos venenosos distribuídos pelo corpo, capazes de provocar dor intensa, inchaço, vermelhidão, náuseas, diarreia e até convulsões em casos de acidentes com humanos. Recentemente, o maior exemplar da espécie já registrado no mundo, medindo cerca de 49 centímetros, foi capturado em Fernando de Noronha.
Segundo o Labomar, as missões têm como objetivo controlar a população do peixe-leão, ampliar a produção de dados científicos, fortalecer pesquisas acadêmicas e promover ações de educação ambiental e capacitação técnica junto às comunidades locais.
As expedições contarão com mergulho autônomo, monitoramento, captura da espécie invasora e atividades voltadas à conscientização ambiental. As ações são financiadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e também por recursos próprios da pós-graduação.
A missão em Fernando de Noronha será realizada entre os dias 18 e 22 de maio e reunirá pesquisadores, pescadores, mergulhadores e gestores ambientais em seminários voltados ao debate de estratégias de manejo e conservação marinha.
Participam da expedição a doutoranda Maria Luiza Gallina e o professor Marcelo Soares, ambos ligados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Marinhas Tropicais da UFC.
De acordo com Gallina, a expedição também permitirá ampliar as discussões sobre o consumo do peixe-leão como estratégia de controle populacional. A proposta já vem sendo debatida internacionalmente como alternativa para reduzir os impactos da espécie invasora.
Já a missão em Jericoacoara acontecerá entre os dias 14 e 24 de junho. A ação buscará monitorar o tamanho da população da espécie e subsidiar futuras medidas de manejo e preservação ambiental.
Integram a equipe os pesquisadores Wilson Franklin Jr., Anne Gurgel, Marcelo Soares e Tommaso Giarrizzo.
Segundo Giarrizzo, o avanço do peixe-leão representa preocupação ambiental e econômica, principalmente em regiões turísticas como Jericoacoara, atualmente um dos parques nacionais mais visitados do Brasil.
Originário do oceano Indo-Pacífico, o peixe-leão chegou ao continente americano após introdução nos Estados Unidos, espalhando-se pelo Caribe e alcançando o litoral brasileiro. A espécie possui elevado potencial reprodutivo: uma única fêmea pode liberar mais de dois milhões de ovos por ano.
As larvas conseguem permanecer dispersas pelas correntes oceânicas por até 40 dias, fator que dificulta o controle populacional e contribui para a rápida expansão da espécie em diferentes áreas costeiras do país.
Pesquisadores alertam que a presença do peixe-leão já afeta dezenas de espécies marinhas brasileiras, comprometendo o equilíbrio ecológico de ambientes protegidos e aumentando os desafios para conservação da biodiversidade no litoral nordestino.
Redação ANH/CE








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