Maceió reforça medidas preventivas contra hantavírus após repercussão internacional
Secretaria de Saúde explica quando procurar atendimento por suspeita de hantavírus. Foto: Divulgação Após a repercussão internacional envolvendo casos de hantavírus registrados em um navio de expedição, a Organização Mundial da Saúde (OMS) descartou risco de pandemia e afirmou que não há motivo para pânico coletivo. Em Maceió, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) também reforçou que o cenário atual não representa ameaça generalizada, mas destacou a importância da informação e da prevenção contra a doença.
Segundo o médico infectologista Renee Oliveira, o hantavírus pertence à família Hantaviridae e é transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. A contaminação ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente em ambientes fechados, pouco ventilados ou com acúmulo de poeira contaminada.
O especialista explicou que o vírus costuma estar associado a áreas rurais, depósitos, galpões, celeiros e locais com presença de ratos silvestres. Atividades como limpeza de ambientes fechados sem proteção adequada também aumentam o risco de exposição.
Os sintomas iniciais da doença podem ser confundidos com outras infecções virais e incluem febre, dores musculares, dor de cabeça, náuseas, vômitos, diarreia e mal-estar. Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória, queda de pressão arterial e comprometimento pulmonar severo.
Apesar da preocupação gerada após o surto registrado no navio MV Hondius, a OMS informou que o padrão dos casos não indica disseminação ampla. De acordo com Renee Oliveira, a maioria dos tipos de hantavírus não apresenta transmissão entre pessoas. A principal exceção é o chamado vírus Andes, identificado na América do Sul, que pode ser transmitido em situações específicas de contato próximo e prolongado.
O infectologista destacou que o hantavírus não possui capacidade de transmissão respiratória em larga escala, como ocorreu com a Covid-19, o que reduz significativamente o potencial de uma pandemia.
A Secretaria Municipal de Saúde também reforçou que o risco para a população em geral segue considerado baixo. Ainda assim, orienta que moradores mantenham cuidados básicos de higiene e evitem contato com ambientes infestados por roedores.
Entre as recomendações estão armazenar alimentos em recipientes fechados, evitar acúmulo de lixo, vedar frestas em residências e utilizar equipamentos de proteção ao limpar locais fechados ou abandonados.
O médico ressaltou ainda que o diagnóstico da hantavirose pode ser difícil nos primeiros dias, já que os sintomas se confundem com doenças como dengue, influenza, Covid-19, leptospirose e pneumonia. Por isso, o histórico de exposição a ambientes com roedores é fundamental para levantar suspeita clínica.
Atualmente, não existe antiviral específico para o tratamento da síndrome cardiopulmonar causada pelo hantavírus. O atendimento é baseado em suporte médico intensivo, principalmente para controle respiratório e hemodinâmico.
A orientação é procurar atendimento médico ao apresentar febre, dores intensas no corpo e sintomas gastrointestinais após contato com locais de risco. Em casos de falta de ar, tontura, confusão mental, coloração arroxeada nos lábios ou piora rápida do estado geral, a recomendação é buscar imediatamente uma unidade de urgência.
A SMS reforça que informação correta e prevenção continuam sendo as principais ferramentas para evitar a doença e tranquilizar a população diante das recentes notícias envolvendo o hantavírus.
Redação ANH/AL








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