Joaquim Barbosa substitui Aldo Rebelo e provoca racha no Democracia Cristã
Ex-ministro do STF Joaquim Barbosa - Foto: Gil Ferreira / CNJ e Ex-ministro Aldo Rebelo. Foto: Instagram / Reprodução A decisão do Democracia Cristã de substituir o ex-ministro Aldo Rebelo pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, como pré-candidato à Presidência da República provocou uma forte crise interna na legenda e abriu um novo capítulo de disputas políticas e jurídicas dentro do partido.
Aldo Rebelo havia sido lançado oficialmente pelo partido em janeiro como aposta da legenda para as eleições presidenciais de 2026. Sem bancada expressiva no Congresso Nacional e com pouca estrutura eleitoral, o Democracia Cristã buscava ampliar sua visibilidade nacional por meio da candidatura do ex-ministro.
Nos bastidores, no entanto, dirigentes da legenda passaram a demonstrar insatisfação com o desempenho político de Aldo, considerado abaixo das expectativas nas pesquisas de intenção de voto. Segundo integrantes da sigla, ele teria recebido um prazo para apresentar crescimento eleitoral e maior competitividade no cenário nacional, o que não teria ocorrido.
Diante desse cenário, a direção nacional do partido, liderada pelo ex-deputado federal João Caldas, decidiu apostar no nome de Joaquim Barbosa, que se filiou ao DC em abril deste ano.
Joaquim Barbosa ganhou notoriedade nacional ao atuar como relator do processo do mensalão, um dos maiores escândalos políticos da história recente do país. Primeiro ministro negro do STF, ele integrou a Suprema Corte entre 2003 e 2014 e chegou a presidir o tribunal.
A legenda acredita que Barbosa possui potencial para atrair eleitores de diferentes correntes políticas, especialmente por manter uma imagem associada ao combate à corrupção e à independência institucional.
Segundo o publicitário Adriano Gehres, responsável por pesquisas internas realizadas pelo partido, o ex-ministro teria capacidade de conquistar votos tanto entre eleitores de direita quanto de esquerda, além de dialogar com o eleitorado indeciso.
Apesar da movimentação da direção partidária, a troca de pré-candidatura provocou reação imediata de Aldo Rebelo. Em nota divulgada nas redes sociais, o ex-ministro afirmou que pretende manter seu projeto presidencial e criticou decisões tomadas por “grupos e interesses específicos”.
Em entrevista à imprensa, Aldo também afirmou que poderá recorrer à Justiça caso sua pré-candidatura seja retirada oficialmente.
O conflito expôs divisões internas profundas dentro do Democracia Cristã. Lideranças estaduais passaram a manifestar resistência ao nome de Joaquim Barbosa. Em São Paulo, o ex-deputado Cândido Vaccarezza classificou o ex-ministro do STF como um nome “inapoiável”, alegando falta de experiência política e questionando sua relação com a democracia.
As críticas também surgiram em outros estados. Em Roraima, o presidente estadual do partido, Paulo César Quartiero, fez duras declarações contra Barbosa durante convenção partidária, relembrando o posicionamento do ex-ministro no julgamento sobre a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
O episódio evidencia o cenário de fragmentação partidária e as disputas internas que começam a ganhar força antes mesmo do início oficial da corrida eleitoral de 2026. Analistas avaliam que a crise pode enfraquecer ainda mais o Democracia Cristã, que busca espaço em um cenário político dominado por partidos maiores e candidaturas já consolidadas.
Ao mesmo tempo, o possível retorno de Joaquim Barbosa ao cenário eleitoral reacende debates sobre renovação política, fortalecimento institucional e propostas de reforma no Judiciário. Entre as pautas defendidas pelo ex-ministro está a discussão sobre mandatos para integrantes do STF, tema que vem ganhando espaço no debate político nacional.
Com ameaças de judicialização e divisões internas cada vez mais evidentes, a definição sobre quem representará o partido na disputa presidencial poderá acabar sendo decidida não apenas no campo político, mas também nos tribunais.
Redação ANH








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