Ceará ganhará status de estado mais montanhoso do Nordeste em 2026
O Maciço de Baturité é uma região úmida que inclui cidades como Guaramiranga e Pacoti. Foto: Thiago Gadelha O Ceará deverá se tornar, a partir do segundo semestre deste ano, o estado mais montanhoso do Nordeste brasileiro. A mudança será resultado de uma atualização promovida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revisará a classificação oficial do relevo nacional por meio do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevos (SBCR).
Embora a Bahia possua a maior área absoluta de montanhas da região, o Ceará passará a liderar o ranking quando considerado o percentual dessas formações em relação à área total do estado. A informação foi confirmada pela geógrafa Rosângela Garrido, integrante da Gerência de Mapeamento dos Recursos Naturais do IBGE.
A reclassificação reconhecerá como montanhas diversas formações geológicas cearenses que atualmente são enquadradas como planaltos. Entre elas estão o Maciço de Baturité, o Maciço de Pereiro, a Serra da Aratanha, a Serra da Meruoca, a Serra da Taquara, a Serra das Matas e a Serra de Uruburetama. O IBGE ressalta, no entanto, que a lista definitiva ainda poderá sofrer ajustes antes da divulgação oficial.
A mudança faz parte de uma ampla atualização da taxonomia do relevo brasileiro. Atualmente, o país adota três grandes categorias geomorfológicas: planaltos, planícies e depressões. Com a revisão, o sistema passará a contar com cinco classes principais: planaltos, planícies, montanhas, tabuleiros e superfícies rebaixadas. As depressões deixarão de existir como categoria independente e serão incorporadas ao grupo das superfícies rebaixadas.
Segundo especialistas, a atualização reflete os avanços científicos obtidos nos últimos anos por meio de novas metodologias de análise, tecnologias de sensoriamento remoto e imagens de alta resolução, que permitiram uma compreensão mais detalhada das características do relevo brasileiro.
A reclassificação também deverá provocar mudanças no ensino da Geografia. De acordo com Rosângela Garrido, os conteúdos presentes em livros didáticos, atlas escolares e materiais pedagógicos precisarão ser atualizados para acompanhar os novos conceitos adotados pela comunidade científica.
O professor de Geografia e Atualidades Rafael Moreira explica que a mudança já vem sendo apresentada aos estudantes como uma novidade científica relevante. Segundo ele, atualizações desse tipo costumam despertar maior interesse dos alunos e podem aparecer em vestibulares e avaliações nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Além dos impactos educacionais, a nova classificação poderá fortalecer políticas de conservação ambiental. Algumas das formações que passarão a ser reconhecidas como montanhas já estão localizadas em áreas protegidas, como o Maciço de Baturité, a Serra da Aratanha e a Serra da Meruoca.
Especialistas avaliam que o reconhecimento oficial dessas áreas como regiões montanhosas poderá ampliar a conscientização sobre sua importância ambiental e favorecer a adoção de medidas de preservação, especialmente diante da vulnerabilidade a fenômenos como erosões e deslizamentos.
A atualização será oficialmente apresentada pelo IBGE em agosto, por meio de uma nota técnica destinada à comunidade acadêmica. Posteriormente, em outubro, as novas classificações e os mapas atualizados do território nacional serão publicados na próxima edição do Atlas Nacional do Brasil, obra que marcará as comemorações pelos 90 anos da instituição.
Criado em 2019, o Sistema Brasileiro de Classificação de Relevos reúne pesquisadores do IBGE, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), da União da Geomorfologia Brasileira (UGB) e de universidades federais. O projeto busca modernizar e padronizar os conceitos utilizados na geomorfologia nacional, refletindo a diversidade e a complexidade das paisagens brasileiras.
Com a mudança, o Ceará passará a ocupar posição de destaque no cenário geográfico do Nordeste, consolidando oficialmente a importância de suas serras e maciços como algumas das principais formações montanhosas do país.
Redação ANH/CE








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