Creches de Fortaleza incentivam alimentação natural desde a primeira infância
Alimentação escolar prioriza produtos naturais e agricultura familiar no Ceará. A alimentação saudável tem ganhado cada vez mais espaço nas escolas do Ceará como estratégia para prevenir a obesidade infantil e incentivar hábitos alimentares desde os primeiros anos de vida. Em Fortaleza, creches e escolas vêm investindo em atividades lúdicas, hortas e cardápios naturais para aproximar as crianças dos alimentos e estimular escolhas mais saudáveis.
Na Creche Escola Samura, no bairro Sapiranga, os alunos têm contato diário com frutas, legumes e verduras, conhecendo sabores, texturas e características dos alimentos por meio de experiências educativas. Além das cinco refeições oferecidas ao longo do dia, as crianças participam do cultivo de uma horta, onde ajudam a plantar e colher alimentos que posteriormente são utilizados na preparação das refeições.
A iniciativa está alinhada à Lei Estadual nº 19.455/2025, que proíbe a oferta de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas na alimentação escolar. A legislação prevê aplicação imediata na rede estadual, implementação gradual nas escolas municipais e prazo de dois anos para adequação das instituições privadas.
Entre os produtos proibidos estão refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, achocolatados, bebidas energéticas, refrescos em pó, misturas para bolo e outros alimentos ultraprocessados. A norma também restringe a comercialização desses produtos por ambulantes no entorno das escolas.
A medida busca enfrentar o avanço da obesidade infantil, considerada uma doença crônica que já atinge mais de 295 mil crianças cearenses, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). Especialistas alertam que, além do tratamento, a prevenção é fundamental para reduzir os impactos da doença na saúde pública.
Nutricionistas da Secretaria Municipal da Educação de Fortaleza destacam que a alimentação oferecida nas creches é elaborada de acordo com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), priorizando alimentos naturais e preparações sem adição de açúcar para as crianças da primeira infância. Alunos com restrições alimentares também recebem cardápios adaptados para garantir inclusão e segurança nutricional.
Outro ponto destacado pelos profissionais é a importância da participação das famílias na construção de hábitos saudáveis. Apesar dos avanços dentro das escolas, especialistas afirmam que o consumo de alimentos industrializados em casa ainda representa um dos principais desafios para a consolidação de uma alimentação equilibrada.
Além de contribuir para a saúde, a alimentação escolar também fortalece a agricultura familiar. Em Fortaleza, frutas, polpas e iogurtes naturais utilizados na merenda são adquiridos de produtores locais, e a expectativa da rede municipal é ampliar a participação desses alimentos nas compras públicas nos próximos anos.
Para educadores e nutricionistas, o ambiente escolar exerce papel fundamental na formação dos hábitos alimentares, influenciando não apenas as crianças, mas também suas famílias, ao estimular escolhas mais saudáveis dentro e fora da escola.
Redação ANH/CE






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