Pesquisa revela que presença feminina cresce, mas liderança recua nos Tribunais de Contas
Participação feminina cresce nas Cortes de Contas, enquanto cargos de liderança diminuem. Participação feminina nos Tribunais de Contas avança, mas mulheres ainda ocupam apenas 14,6% das cadeiras
A participação das mulheres nos Tribunais de Contas brasileiros apresentou avanço nos últimos anos, mas ainda permanece distante da igualdade de gênero. É o que revela um levantamento do Grupo de Trabalho para Promoção da Igualdade de Gênero da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), que analisou a composição das Cortes de Contas e a presença feminina em cargos de liderança, assessoramento e funções de confiança.
O estudo reuniu informações de 32 dos 33 Tribunais de Contas do país, alcançando uma taxa de resposta de 96,97%, e atualiza dados divulgados em 2022.
De acordo com a pesquisa, dos 226 conselheiros e ministros em atividade nos Tribunais de Contas, apenas 33 são mulheres, o equivalente a 14,6% do total. Apesar da baixa representatividade, o percentual representa um crescimento em relação ao levantamento anterior, quando a presença feminina era de cerca de 12%.
O Tribunal de Contas do Estado do Piauí se destaca como a Corte com maior participação feminina no colegiado. Das sete cadeiras existentes, quatro são ocupadas por mulheres, o que corresponde a aproximadamente 57% da composição.
Nos Ministérios Públicos de Contas, a presença feminina é mais expressiva: as mulheres representam 31,1% dos procuradores de Contas em atividade.
Mulheres perdem espaço em cargos de liderança
Apesar do avanço na composição das Cortes, o levantamento aponta uma redução da participação feminina em cargos de liderança, assessoramento e funções de confiança.
Enquanto, em 2022, as mulheres ocupavam cerca de 52% dessas funções, o percentual caiu para 34,68% na atualização realizada em 2025.
Entre os destaques positivos, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte aparece com 88% de mulheres em cargos de liderança e 75% de participação feminina entre os servidores efetivos.
Monitoramento da igualdade de gênero
A pesquisa foi elaborada pelo Grupo de Trabalho para Promoção da Igualdade de Gênero da Atricon, criado para desenvolver estudos, compartilhar boas práticas e incentivar iniciativas voltadas à ampliação da participação das mulheres no sistema de controle externo.
O grupo reúne representantes de diversos Tribunais de Contas do país, entre eles a conselheira Susana Maria Fontes Azevedo Freitas, do Tribunal de Contas de Sergipe, coordenadora-geral da iniciativa; a conselheira substituta Milene Dias da Cunha, do Tribunal de Contas do Pará; e o conselheiro Cezar Miola, do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul.
Segundo a Atricon, o acompanhamento periódico desses indicadores permite avaliar a evolução da representatividade feminina nas Cortes de Contas e fornece subsídios para o aperfeiçoamento de políticas institucionais voltadas à gestão de pessoas, à governança e ao fortalecimento da igualdade de gênero.
Redação ANH/AL






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