Ceará e RN podem ganhar nova conexão ferroviária de mais de 500 km
Ferrovia prevê criar ramal do RN da Transnordestina. Foto: Thiago Gadelha Projeto prevê ferrovia entre Iguatu, no Ceará, e Caiçara do Norte, no Rio Grande do Norte
Um novo projeto ferroviário prevê a ligação entre Iguatu, no Centro-Sul do Ceará, e Caiçara do Norte, no litoral do Rio Grande do Norte. A proposta funcionaria como um ramal da Ferrovia Transnordestina em território potiguar e poderá criar um novo corredor de transporte e escoamento de cargas entre os dois estados.
Os estudos de viabilidade técnica, econômica, ambiental e social estão previstos para começar ainda em setembro, com conclusão estimada para janeiro de 2027. O projeto foi confirmado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), pelo Ministério dos Transportes e pelo Governo do Rio Grande do Norte.
Segundo o Ministério dos Transportes, o estudo será conduzido pela Sudene. A entidade informou que existem entendimentos institucionais para viabilizar o levantamento, mas detalhes como extensão da ferrovia, valor do investimento e cronograma para execução das obras só deverão ser definidos após a conclusão dos estudos.
De acordo com o secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão do Rio Grande do Norte, Alexandre Lima, a proposta é conectar o futuro Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte, à Transnordestina, em Iguatu.
Traçado pode passar por Mossoró e Pau dos Ferros
O percurso definitivo ainda não foi definido. A diretriz apresentada pelo Governo do Rio Grande do Norte prevê que a ferrovia passe por regiões estratégicas do estado, incluindo Mossoró, Apodi e Pau dos Ferros.
O projeto também contempla um ramal para a região de Jucurutu. A partir de Pau dos Ferros, a linha seguiria em direção ao Ceará até alcançar a Transnordestina, em Iguatu.
A estimativa de custo dependerá da definição do traçado e da modelagem de engenharia, incluindo a escolha da bitola ferroviária. Segundo Alexandre Lima, uma das possibilidades em estudo é a implantação da ferrovia por meio de uma parceria público-privada (PPP), com participação de recursos do Governo Federal e da iniciativa privada.
Ferrovia pode beneficiar produção agrícola do Ceará
A possível conexão ferroviária também poderá beneficiar o Vale do Jaguaribe, no Ceará, uma das principais regiões agrícolas do estado.
Para a professora doutora em Geografia da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Ângela Falcão, a nova ligação poderá criar uma alternativa logística para o transporte da produção regional.
Entre os setores que podem ser beneficiados estão a fruticultura irrigada e a bovinocultura leiteira. A conexão com a malha ferroviária também poderá reduzir a dependência do transporte rodoviário para o acesso à Transnordestina.
A distância por rodovias entre Iguatu e Caiçara do Norte supera 510 quilômetros.
Transnordestina já chega a Iguatu
O projeto prevê a conexão com a Ferrovia Transnordestina, que já opera parcialmente no interior do Ceará. Atualmente, o trecho em operação liga Bela Vista do Piauí a Iguatu.
O município cearense também recebe investimentos relacionados à infraestrutura de cargas, incluindo um terminal com estruturas para armazenamento de combustíveis e grãos. Além disso, está em desenvolvimento um frigorífico da Masterboi, o primeiro empreendimento da empresa fora de Pernambuco.
No Ceará, as obras da Transnordestina já avançaram até Quixeramobim, no Sertão Central. A previsão é de que outros 120 quilômetros sejam entregues ainda em 2026, enquanto a conclusão da primeira fase da ferrovia permanece prevista para o fim de 2027.
Redação ANH/CE








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