RN produz 740 vezes mais lenha de extrativismo do que de eucalipto
Extração de madeira para lenha e carvão, atividade presente em quase todos os municípios potiguares e responsável por 82,68% do valor do extrativismo no Estado. Foto: Ermínio Fernandes Extração vegetal do Rio Grande do Norte movimenta mais de R$ 62 milhões em 2025
A extração vegetal no Rio Grande do Norte movimentou mais de R$ 62 milhões em 2025, segundo dados da Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira (24). O resultado representa crescimento de 5,8% em relação aos R$ 58,6 milhões registrados em 2024.
A atividade potiguar permanece concentrada nos produtos madeireiros, que responderam por 82,68% do valor total da produção extrativa. Dentro desse grupo, a lenha foi o principal produto, responsável sozinha por 73,36% de todo o valor movimentado pela extração vegetal no estado.
Ao longo de 2025, foram produzidos 1,11 milhão de metros cúbicos de lenha no Rio Grande do Norte, com valor de produção superior a R$ 45,5 milhões. A atividade foi registrada em 130 dos 167 municípios potiguares, o equivalente a quase 78% das cidades do estado.
Alexandria liderou a produção de lenha em valor, com R$ 8,55 milhões, seguida por Santa Cruz, com R$ 6,50 milhões, e Caraúbas, com R$ 5,25 milhões. Juntos, os três municípios movimentaram aproximadamente R$ 20,3 milhões, quase 45% do valor obtido com a produção de lenha no estado.
Além da lenha, o grupo de produtos madeireiros inclui a madeira em tora e o carvão vegetal. A extração de madeira em tora alcançou 13,2 mil metros cúbicos em 2025, avaliados em R$ 706 mil. Macaíba concentrou cerca de dois terços dessa produção, com 8,6 mil metros cúbicos e R$ 344 mil em valor.
Já o carvão vegetal foi produzido em 118 municípios potiguares. Ao todo, foram 3.578 toneladas, com valor de produção superior a R$ 5,07 milhões.
Umbu e mangaba se destacam entre os alimentos
Embora os produtos madeireiros concentrem a maior parte do valor da extração vegetal no Rio Grande do Norte, os alimentos apresentaram crescimento expressivo em 2025.
A produção passou de 1.501 toneladas, em 2024, para 1.750 toneladas no ano passado, uma alta de 16,59%. O valor de produção do segmento ultrapassou R$ 4,15 milhões.
O umbu liderou em volume, com 825 toneladas e valor superior a R$ 1,19 milhão. A produção foi registrada em 43 municípios. São Miguel do Gostoso respondeu por 300 toneladas, enquanto Pedra Grande produziu outras 200 toneladas. Juntos, os dois municípios concentraram mais de 60% da produção estadual.
Em quantidade, a mangaba ficou em segundo lugar, com 605 toneladas. Apesar do volume menor, o fruto gerou R$ 2,06 milhões, superando o valor obtido com o umbu.
A produção de mangaba também foi mais concentrada territorialmente. Das 605 toneladas registradas no estado, 530 foram produzidas em Nísia Floresta, município responsável por quase 88% do total.
A diferença de valor está relacionada ao preço médio dos produtos. Enquanto uma tonelada de umbu correspondeu a cerca de R$ 1,4 mil em valor de produção, a tonelada de mangaba alcançou aproximadamente R$ 3,4 mil.
Entre os demais produtos alimentícios aparecem a castanha de caju, com 107 toneladas e R$ 440 mil, e o cajá, com 22 toneladas e R$ 71 mil.
Produção de carnaúba recua
Na contramão do crescimento registrado entre os alimentos, a produção de carnaúba apresentou queda em 2025.
A quantidade destinada à fabricação de pó e cera caiu de 428 toneladas, em 2024, para 381 toneladas no ano passado, uma redução de 10,98%. Desse total, 379 toneladas corresponderam ao pó de carnaúba.
A atividade foi registrada em 16 municípios potiguares, com destaque para Upanema, Ipanguaçu e Assú.
O recuo também ocorreu no valor de produção. A carnaúba movimentou R$ 6,59 milhões em 2025, abaixo do resultado registrado no ano anterior.
A cera de carnaúba é utilizada em diferentes segmentos industriais, incluindo a fabricação de embalagens, medicamentos e cosméticos.
Eucalipto ainda tem participação pequena
Os dados da PEVS também mostram a diferença entre a extração de vegetação nativa e a silvicultura, atividade relacionada ao cultivo de florestas para fins econômicos.
No Rio Grande do Norte, a produção de lenha de eucalipto somou apenas 1,5 mil metros cúbicos em 2025, avaliados em R$ 120 mil. Pureza concentrou 1,2 mil metros cúbicos, equivalentes a 80% do total, enquanto Macaíba respondeu pelos 300 metros cúbicos restantes.
A diferença em relação à extração vegetal é significativa. Enquanto as florestas plantadas forneceram 1,5 mil metros cúbicos de lenha de eucalipto, o extrativismo produziu 1,11 milhão de metros cúbicos de lenha no estado, volume cerca de 740 vezes maior.
Pureza também concentrou toda a produção informada de madeira em tora de eucalipto para outras finalidades. Foram 6 mil metros cúbicos, com valor de produção de R$ 2,4 milhões.
No Brasil, entretanto, a silvicultura possui participação muito maior na produção florestal. Somadas a silvicultura e a extração vegetal, as atividades movimentaram R$ 47,9 bilhões em 2025, crescimento de 6,7% em relação aos R$ 44,3 bilhões de 2024 e maior valor da série histórica da pesquisa.
No Rio Grande do Norte, o cenário é diferente: a extração de produtos da vegetação nativa continua predominando, com a lenha como principal responsável pelo resultado financeiro do setor.
A PEVS é realizada anualmente pelo IBGE e reúne informações sobre quantidade e valor da produção de produtos obtidos tanto da vegetação natural quanto de florestas plantadas. A pesquisa acompanha itens como madeira, carvão vegetal, ceras, fibras, produtos alimentícios e outros produtos do extrativismo.
Redação ANH/RN








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