Ex-presidente do Paraguai é transferido para instalação militar após protestos
Crise financeira e política no Paraguai levou milhares de manifestantes às ruas pedindo o impeachment do presidente Santiago Peña. Foto: Daniel Duarte / AFP
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi retirado de sua residência, em Assunção, e transferido para uma instalação militar na madrugada deste sábado (7), após protestos contra sua permanência em prisão domiciliar. A mudança ocorreu por motivos de segurança, depois que manifestantes entraram em confronto com policiais nas proximidades do imóvel. As informações foram divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color.
Peña foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade das Forças Armadas responsável pela proteção de autoridades paraguaias e representantes estrangeiros em visitas oficiais. O local não é considerado uma prisão convencional.
A transferência aconteceu poucas horas depois de o Senado paraguaio aprovar, na sexta-feira (6), a destituição do então presidente. Durante a noite, manifestantes se reuniram em frente à residência de Peña para exigir que ele fosse encaminhado a um presídio. O protesto terminou em confronto com as forças de segurança, e um comissário de polícia ficou ferido no rosto.
Segundo informações divulgadas pelo UOL e pelo ABC Color, autoridades policiais também alertaram para a possível presença de infiltrados entre os manifestantes. Pouco antes da meia-noite, um comboio de veículos retirou o ex-presidente do imóvel sob gritos e arremessos de ovos.
Crise bancária motivou investigação
A crise política que resultou na saída de Peña está relacionada ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira da qual ele foi acionista até 2025. Segundo informações publicadas por O Globo, aproximadamente 40% da população paraguaia mantinha contas no banco. A quebra da instituição deixou clientes sem acesso aos recursos e provocou dificuldades para atividades comerciais no país.
O banco também concentrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados ao sistema previdenciário paraguaio.
Peña passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo possíveis conflitos entre sua atuação no governo e os interesses da instituição financeira. Entre os crimes apontados pelo Ministério Público estão lesão de confiança, tráfico de influência e administração em proveito próprio. O ex-presidente nega as acusações.
Antes da conclusão do julgamento político, na sexta-feira, Peña anunciou sua renúncia ao cargo. Mesmo assim, o Senado deu continuidade ao processo e aprovou por unanimidade sua destituição. A defesa contestou a decisão, alegando violações ao direito de defesa e ao devido processo legal.
Vice-presidente assume a Presidência
Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana, também integrante do Partido Colorado, assumiu a Presidência do Paraguai na sexta-feira. Ele é aliado do ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças da legenda.
Enquanto o novo governo assume a condução da crise, Peña deverá prestar esclarecimentos às autoridades sobre as suspeitas envolvendo o Ueno Bank. Segundo a imprensa paraguaia, estava previsto para este sábado seu comparecimento à promotoria para uma audiência relacionada à investigação.




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