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Maceió,08/04/2026

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Tribunal apura possível omissão do Banco Central na supervisão do Banco Master

Agência Brasil
Tribunal apura possível omissão do Banco Central na supervisão do Banco Master Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim. (Rovena Rosa

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu aprofundar a análise sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master ao determinar a realização de uma inspeção no Banco Central do Brasil. A medida foi adotada após o relator do processo, ministro Jhonatan de Jesus, considerar insuficientes as informações apresentadas pelo órgão regulador para justificar a condução e os fundamentos da decisão que levou ao encerramento das atividades da instituição financeira.

A inspeção faz parte de um trabalho técnico já em andamento no TCU e tem como objetivo esclarecer, de forma detalhada, os aspectos técnicos, jurídicos e operacionais que nortearam a atuação do Banco Central ao longo do processo de supervisão do Banco Master. Segundo o presidente do Tribunal, ministro Vital Rêgo, a iniciativa busca garantir transparência e segurança institucional em um caso que envolve potenciais impactos relevantes sobre o sistema financeiro.

A decisão do relator atende a uma representação apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) junto ao TCU. No documento, o MPF solicita a apuração de possíveis falhas na fiscalização exercida pelo Banco Central sobre o Banco Master S.A. e suas controladas, apontando a possibilidade de omissões ou de uma resposta tardia diante de sinais de deterioração financeira da instituição, o que teria culminado na decretação da liquidação extrajudicial.

Durante o trâmite do processo, o Banco Central foi chamado a se manifestar e encaminhou ao TCU uma nota técnica relatando o histórico do caso e os argumentos que embasaram a decisão de liquidar o banco. Contudo, na avaliação do ministro Jhonatan de Jesus, o material apresentado se mostrou limitado, uma vez que trouxe apenas uma descrição resumida dos fatos, sem o conjunto documental necessário para permitir uma análise mais aprofundada por parte da Corte de Contas.

Em sua decisão, o relator ressaltou que a nota técnica não foi acompanhada de documentos essenciais, como pareceres internos, notas técnicas complementares, registros de deliberações e outras peças administrativas que sustentassem, de forma objetiva, as conclusões apresentadas. Para o ministro, a ausência desse acervo inviabiliza a plena verificação das informações e compromete a formação de um juízo consistente sobre a regularidade da atuação do órgão regulador.

Com a inspeção, o TCU pretende avaliar se a decisão pela liquidação extrajudicial do Banco Master foi compatível com as irregularidades identificadas e com os riscos efetivamente existentes à época. A análise também deverá verificar se os instrumentos de supervisão disponíveis ao Banco Central foram utilizados de maneira adequada e tempestiva, conforme previsto na legislação que rege o Sistema Financeiro Nacional.

O Ministério Público Federal sustenta que uma eventual falha na fiscalização pode ter ampliado os riscos sistêmicos, considerando a atuação do Banco Master no mercado financeiro e os reflexos sobre credores, investidores e depositantes. Além disso, o caso pode ter gerado impactos indiretos sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por assegurar depósitos e aplicações financeiras em situações de insolvência bancária.

A inspeção determinada pelo TCU deverá resultar em um relatório técnico que subsidiará as próximas decisões do Tribunal sobre o caso. Dependendo das conclusões, o processo pode evoluir para a responsabilização de agentes públicos ou para a recomendação de ajustes nos procedimentos de supervisão do Banco Central, com o objetivo de fortalecer a governança e prevenir riscos semelhantes no sistema financeiro brasileiro.

Redação ANH/DF




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