Redução da imigração ameaça crescimento do mercado de trabalho nos EUA
Manifestantes protestam contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ( AFP) As políticas migratórias mais rígidas implementadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já apresentam efeitos concretos sobre o fluxo populacional do país e devem continuar impactando a economia norte-americana em 2026. É o que aponta um estudo divulgado nesta terça-feira (13) pela Brookings Institution, um dos principais centros de pesquisa dos Estados Unidos, que identifica a ocorrência de migração líquida negativa — quando o número de pessoas que deixam o país supera o de novos imigrantes.
De acordo com o relatório, 2025 marcou uma mudança histórica no padrão migratório dos Estados Unidos. Pela primeira vez em pelo menos cinco décadas, o saldo migratório ficou próximo de zero ou se tornou negativo, refletindo o endurecimento das regras de entrada, a ampliação das deportações e a redução de programas de acolhimento a imigrantes.
“O primeiro ano do segundo mandato de Trump foi caracterizado por transformações profundas na política migratória, o que resultou em uma desaceleração expressiva da migração líquida para os Estados Unidos”, destaca o estudo. As estimativas indicam que, ao longo de 2025, o saldo migratório tenha variado entre menos 10 mil e menos 295 mil pessoas.
Tendência deve continuar em 2026
Os pesquisadores avaliam que o cenário não deve se reverter no curto prazo. Mesmo diante de incertezas políticas e econômicas, a projeção é de que os Estados Unidos continuem registrando migração líquida negativa em 2026. Segundo o relatório, essa tendência terá impactos significativos na macroeconomia do país.
Entre os principais efeitos apontados estão a desaceleração do crescimento do emprego, do Produto Interno Bruto (PIB) e do consumo interno. Isso ocorre porque a imigração tem sido, historicamente, um dos principais motores da expansão da força de trabalho norte-americana.
O estudo ressalta que o crescimento da população em idade ativa nascida nos Estados Unidos tem sido fraco nos últimos anos, fazendo com que quase todo o aumento da mão de obra disponível venha da imigração. Com a redução desse fluxo, setores que dependem fortemente de trabalhadores imigrantes — como construção civil, agricultura, serviços e saúde — podem enfrentar escassez de mão de obra.
Impacto além do mercado de trabalho
Além de suprirem vagas no mercado de trabalho, os imigrantes também exercem papel importante no dinamismo da economia, ao impulsionar o consumo de bens e serviços. A diminuição desse grupo, segundo os autores, pode reduzir a demanda interna e afetar o ritmo de crescimento econômico do país como um todo.
O relatório também chama atenção para um fator adicional de incerteza: a redução na transparência e na divulgação de dados oficiais sobre imigração. Para os pesquisadores, essa limitação dificulta a elaboração de estimativas mais precisas e pode mascarar a real dimensão das mudanças em curso.
Diante desse cenário, o estudo da Brookings Institution aponta que as decisões tomadas no campo da política migratória terão efeitos duradouros sobre a economia dos Estados Unidos, influenciando não apenas o mercado de trabalho, mas também o crescimento econômico e a sustentabilidade demográfica do país nos próximos anos.
Redação ANH





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