Após meses de bloqueio, Rafah reabre com acesso restrito e vigilância internacional
Fronteira entre Gaza e Egito é reaberta de forma parcial sob controle de Israel. (AFP) Após um teste realizado no domingo, as autoridades israelenses deram início, nesta segunda-feira, à reabertura oficial da fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. A passagem de Rafah, localizada no sul do território palestino, voltou a funcionar para a circulação de cidadãos palestinos, atendendo a demandas da Organização das Nações Unidas (ONU) e de entidades humanitárias internacionais.
A decisão de reabrir o posto fronteiriço foi tomada após a chegada a Gaza de uma missão de monitoramento da União Europeia, que ficará responsável por acompanhar e fiscalizar o trânsito de pessoas. A retomada das atividades em Rafah já constava, inclusive, no plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos no acordo que prevê o encerramento do conflito.
Apesar da reabertura, o controle do corredor permanece sob responsabilidade do Exército de Israel, e as regras de circulação ainda são bastante restritivas. De acordo com informações da imprensa internacional, apenas 50 pessoas poderão atravessar a fronteira em cada sentido, durante seis horas diárias de funcionamento, sempre mediante autorização prévia de segurança. Palestinos que ficaram retidos fora do território desde 2024 também poderão retornar, mas somente após liberação das autoridades israelenses, com limitações quanto à quantidade de bagagem e medicamentos permitidos.
Neste primeiro momento, a passagem seguirá fechada para a entrada de ajuda humanitária internacional e de mercadorias comerciais em Gaza. O envio de suprimentos continuará sendo feito exclusivamente pelo posto de Kerem Shalom, situado a poucos quilômetros de Rafah.
Em comunicado, a Coordenação das Atividades do Governo nos Territórios (COGAT), órgão ligado ao Ministério da Defesa de Israel, informou que a entrada e a saída de pessoas pela passagem de Rafah ocorrerão em coordenação com o Egito, após rigorosa checagem de segurança conduzida por Israel e supervisionada pela missão da União Europeia. Segundo o texto, palestinos que deixaram Gaza durante o conflito só poderão regressar após autorização específica, com identificação e triagem realizadas em um corredor designado pelas forças israelenses e europeias.
A passagem de Rafah era uma das poucas ligações diretas da Faixa de Gaza com o exterior e vinha sendo utilizada para a entrada de ajuda humanitária. No entanto, o local estava totalmente fechado desde maio de 2024, com exceção de um breve período em janeiro de 2025. Apesar das críticas da comunidade internacional diante da grave crise humanitária no território, o governo israelense justificava o bloqueio alegando o uso da rota para o contrabando de armas destinadas ao Hamas.
Com a retomada do funcionamento, Rafah passa a representar a principal alternativa para que palestinos feridos ou doentes possam buscar tratamento médico fora de Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde local, cerca de 20 mil vítimas do conflito já se inscreveram junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) em busca de atendimento no exterior.
Do lado egípcio, as autoridades informaram que foi ativado um plano especial de emergência, com 150 hospitais e aproximadamente 300 ambulâncias mobilizadas para atender os pacientes que cruzarem a fronteira a partir desta segunda-feira (2). O ministro da Saúde do Egito, Jaled Abdelghafar, destacou ainda a criação de uma central de controle em funcionamento permanente, conectada a dezenas de salas de emergência, postos médicos e unidades hospitalares, para garantir resposta rápida a qualquer situação de urgência.
Redação ANH








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