Groenlândia reacende debate geopolítico entre Europa e Estados Unidos
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante entrevista coletiva ( SAUL LOEB / AFP) A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou neste sábado (14), durante a Conferência de Segurança de Munique, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém o interesse em ampliar o controle norte-americano sobre a Groenlândia, território autônomo que integra o Reino da Dinamarca. Segundo ela, a posição de Washington não sofreu alterações nas últimas semanas.
Ao comentar o tema, Frederiksen reiterou que tanto a sociedade dinamarquesa quanto líderes europeus são contrários a qualquer iniciativa que implique mudança na soberania da ilha. A premiê destacou que a Groenlândia possui governo próprio e que qualquer decisão sobre seu futuro deve respeitar o direito de autodeterminação do território.
O debate ganhou força no mês passado, quando Trump mencionou a possibilidade de assumir o controle da ilha, chegando inicialmente a citar o uso de força militar — declaração que provocou apreensão entre aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A hipótese levantou questionamentos sobre a estabilidade diplomática entre países membros da aliança.
Posteriormente, durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, representantes dos dois países teriam iniciado tratativas para discutir um modelo de cooperação ampliada no território, especialmente em áreas estratégicas como defesa, exploração de recursos naturais e presença militar no Ártico.
Desde então, negociações trilaterais envolvendo Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos seguem em curso. O foco das conversas está na segurança regional, diante da crescente importância geopolítica do Ártico, região que tem despertado interesse de potências globais por suas rotas marítimas e reservas minerais.
Em Munique, Frederiksen reconheceu que os aliados precisam intensificar esforços conjuntos para garantir estabilidade e segurança no extremo norte. A premiê ressaltou que a cooperação internacional é essencial para enfrentar desafios comuns, mas reiterou que isso deve ocorrer dentro do respeito às normas internacionais e à soberania dos países envolvidos.
Na sexta-feira (13), ela também informou ter mantido uma reunião com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Em publicação nas redes sociais, classificou o encontro como produtivo e afirmou que os trabalhos continuarão conforme estabelecido por um grupo de alto nível criado para tratar das questões relacionadas à Groenlândia.
O episódio evidencia a crescente centralidade do Ártico no cenário internacional e reforça o debate sobre equilíbrio de poder, soberania territorial e alianças estratégicas em um contexto de disputas globais por influência e recursos naturais.
Redação ANH








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