Israel intensifica ofensiva contra alvos do Hezbollah e do Hamas
Apoiadores do Hezbollah libanês agitam bandeiras durante protesto em frente à Embaixada do Irã, nos subúrbios ao sul de Beirute, para celebrar cessar-fogo entre Israel e o Irã, em 25 de junho de 2025. (Foto de Haitham MOUSSAWI / AFP) Um dirigente de alto escalão do Hezbollah afirmou neste sábado (21) que a “resistência” continua sendo a única alternativa do grupo diante da intensificação dos ataques israelenses no território libanês. A declaração foi feita após a morte de oito integrantes da organização em bombardeios realizados no leste do Líbano, especialmente na região do Vale do Bekaa.
Os ataques ocorreram mesmo após o cessar-fogo firmado em novembro de 2024, que pôs fim a meses de confrontos diretos entre Israel e o Hezbollah. Desde então, porém, a trégua tem sido marcada por episódios de tensão e ações militares pontuais. O governo israelense sustenta que suas operações visam impedir o rearmamento do grupo xiita, apoiado pelo Irã, e neutralizar ameaças à sua segurança.
Na sexta-feira, o Exército de Israel informou ter atingido centros de comando e instalações estratégicas do Hezbollah no leste do Líbano, além de alvos ligados ao Hamas no sul do país. Segundo comunicado militar, as ofensivas foram direcionadas a estruturas consideradas essenciais para a reorganização das atividades armadas. O Hezbollah confirmou a morte de oito combatentes. Já o Ministério da Saúde do Líbano reportou 12 vítimas fatais no total — dez no leste e duas no sul.
Em discurso realizado em Beirute e transmitido pela emissora Al Manar, vinculada ao Hezbollah, Mahmud Qamati, vice-presidente do conselho político da organização, classificou o bombardeio como “um massacre” e acusou Israel de violar reiteradamente a soberania libanesa. Para ele, a continuidade da resistência armada é inevitável diante do que chamou de agressões constantes. “Não há outra opção para defender nossa terra e nossa pátria”, declarou.
No Vale do Bekaa, equipes de resgate e operários trabalharam na retirada de escombros de um prédio atingido. De acordo com fontes próximas ao grupo, os combatentes mortos estavam reunidos no local no momento do ataque. A destruição reacendeu temores de uma escalada no conflito, sobretudo em áreas residenciais.
Os funerais de dois dos integrantes mortos, incluindo o comandante Hussein Mohamad Yaghi, ocorreram na cidade de Baalbek e reuniram centenas de simpatizantes. Durante as cerimônias, bandeiras do Hezbollah foram exibidas e discursos reforçaram o discurso de enfrentamento.
Enquanto isso, o governo libanês reiterou o compromisso de implementar medidas para restringir o poderio armado do Hezbollah, conforme acordos internacionais e entendimentos internos. No entanto, a influência política e militar do grupo no país torna o processo complexo. Israel, por sua vez, mantém a posição de que continuará agindo preventivamente sempre que identificar riscos à sua segurança.
Analistas avaliam que os recentes episódios evidenciam a fragilidade do cessar-fogo e o risco de novos confrontos na fronteira entre Líbano e Israel. A comunidade internacional acompanha a situação com preocupação, diante do potencial de desestabilização regional em um cenário já marcado por múltiplos focos de tensão no Oriente Médio.
Redação ANH








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