RN registra mínima histórica na produção de petróleo e gás
Há dez anos, produção era praticamente o dobro da atual; Novas operadoras têm reduzido ritmo de investimentos, aponta Sindipetro. Foto: Sindipetro/Reprodução A produção de petróleo e gás natural no Rio Grande do Norte encerrou 2025 em seu nível mais baixo em quatro décadas, aprofundando um processo de retração que vem se consolidando nos últimos anos. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que, em dezembro, a média diária foi de 33 mil barris — volume inferior ao registrado nos meses anteriores e o menor desde a década de 1980.
O número confirma uma tendência de declínio estrutural. Há dez anos, a produção potiguar era praticamente o dobro da atual. À época, o Estado figurava entre os principais polos de exploração terrestre do país, posição que perdeu gradualmente com a mudança na estratégia da Petrobras. A estatal, que durante décadas liderou a atividade em solo potiguar, passou a priorizar investimentos no pré-sal e promoveu a venda de ativos em terra e em águas rasas, abrindo espaço para a entrada de operadoras independentes.
A transição alterou o perfil da indústria local. Empresas de menor porte assumiram campos maduros — áreas exploradas há décadas e com produção em declínio natural. Nesses campos, a proporção de água extraída junto com o petróleo é elevada, o que aumenta os custos operacionais. Em alguns poços, segundo especialistas, o percentual de água pode chegar a 98%, exigindo técnicas avançadas de recuperação, como injeção de fluidos e métodos químicos para manter a viabilidade econômica.
Para o Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), a queda no volume produzido está diretamente ligada ao ritmo de investimentos das novas operadoras. A entidade defende que a ampliação da exploração dos 33 blocos atualmente ofertados pela ANP poderia elevar a produção para até 80 mil barris por dia, com impacto significativo na geração de empregos e na arrecadação estadual.
Uma das principais produtoras em atividade no Estado informou que tem direcionado recursos para tecnologias de recuperação avançada, buscando reduzir o declínio natural dos campos e ampliar a eficiência operacional. Ainda assim, o cenário é desafiador diante do envelhecimento das áreas produtivas e da necessidade de aportes contínuos para manter os níveis de extração.
Efeito na economia e nas finanças públicas
O impacto da retração vai além do setor energético. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), o segmento de petróleo e gás responde por mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial potiguar. A desaceleração da atividade, portanto, repercute diretamente no desempenho da indústria e na dinâmica econômica do Estado.
Para Jean-Paul Prates, chairman do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), o quadro foi agravado pela queda dos preços internacionais do petróleo no fim de 2025. A combinação entre menor produção e desvalorização do barril reduziu receitas de royalties e participações especiais, afetando o caixa do governo estadual e de municípios produtores.
Cidades como Mossoró, Macau e Guamaré — historicamente dependentes da cadeia de óleo e gás — sentem os efeitos na geração de empregos, no comércio e na prestação de serviços. A retração do setor contribuiu para uma perda acumulada de 11,5% na indústria ao longo de 2025, de acordo com dados mencionados por representantes do setor.
Desafios e perspectivas
Especialistas apontam que a reversão do quadro depende de uma combinação de fatores: aumento de investimentos, adoção de tecnologias mais eficientes e políticas públicas que estimulem a revitalização dos campos maduros. Também é considerada estratégica a ampliação de atividades exploratórias em novas áreas, embora isso envolva riscos e prazos mais longos.
Enquanto isso, o Rio Grande do Norte enfrenta o desafio de equilibrar a dependência histórica do petróleo com a necessidade de diversificar sua base produtiva. O desempenho do setor nos próximos anos será decisivo não apenas para a indústria, mas para a sustentabilidade fiscal e o desenvolvimento regional do Estado.
Redação ANH/RN








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