Brasil e Índia firmam acordo estratégico sobre minerais críticos e terras raras
Um acordo envolvendo minerais críticos e terras raras foi assinado neste sábado 21. Foto: Ricardo Stuckert/PR Brasil e Índia avançaram neste sábado (21) na consolidação de uma parceria estratégica ao assinarem, em Nova Delhi, um acordo de cooperação voltado à exploração, pesquisa e desenvolvimento de minerais críticos e terras raras. O entendimento foi firmado durante encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Narendra Modi, em meio a uma agenda bilateral que reforça a aproximação entre duas das principais economias emergentes do mundo.
Em declaração à imprensa, Modi classificou o acordo como um “grande passo” para a construção de cadeias globais de suprimento mais robustas e menos vulneráveis a crises geopolíticas. Segundo ele, a cooperação entre os dois países ganha relevância em um cenário internacional no qual a produção e o processamento de terras raras estão concentrados em poucos mercados, o que aumenta riscos de desabastecimento e dependência externa.
O acordo envolve minerais considerados estratégicos para setores como tecnologia da informação, defesa, energia limpa e indústria de alta complexidade. Esses insumos são fundamentais para a fabricação de baterias, semicondutores, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos e sistemas eletrônicos avançados — áreas que têm crescido rapidamente com a transição energética e a digitalização da economia global.
Ao comentar a assinatura, Lula destacou que a parceria vai além da dimensão econômica e industrial. Segundo o presidente, o entendimento reforça uma agenda de cooperação que busca colocar a tecnologia a serviço do desenvolvimento inclusivo, combinando inovação, sustentabilidade e geração de oportunidades. Ele ressaltou ainda o avanço indiano em áreas como inteligência artificial, biotecnologia, tecnologia da informação e exploração espacial, apontando a convergência de interesses entre os dois países.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras e minerais críticos, atrás apenas da China, o que confere ao país posição estratégica no debate internacional sobre segurança energética e tecnológica. A expectativa do governo brasileiro é que o acordo contribua para atrair investimentos, estimular a pesquisa científica e ampliar a agregação de valor à produção mineral, reduzindo a exportação de matérias-primas sem beneficiamento.
Cooperação ampliada
Além do acordo sobre minerais, a visita oficial resultou na assinatura de memorandos de entendimento em áreas como comércio, empreendedorismo, defesa e saúde. No setor farmacêutico, Modi destacou o potencial de cooperação para ampliar o acesso a medicamentos de qualidade e a preços acessíveis no Brasil. A Índia é hoje um dos maiores polos globais de produção de medicamentos genéricos, enquanto o Brasil busca fortalecer sua autonomia industrial no setor da saúde.
Especialistas avaliam que a intensificação do diálogo entre Brasil e Índia reflete um movimento mais amplo de fortalecimento das relações Sul-Sul e de diversificação de parcerias estratégicas. A cooperação em minerais críticos, em especial, surge como resposta à crescente disputa global por recursos essenciais à nova economia verde e digital.
Com a assinatura dos acordos, os dois países sinalizam a intenção de atuar de forma coordenada em setores considerados vitais para o crescimento econômico de longo prazo. A parceria também reforça o papel de Brasil e Índia como atores relevantes na redefinição das cadeias globais de produção, em um contexto de busca por maior autonomia, sustentabilidade e equilíbrio no sistema internacional.
Redação ANH








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