Chuvas deixam 23 mortos e dezenas de desaparecidos em Minas Gerais
Bairro Mariano Procópio à esquerda e Bairro Vitorino Braga à direita, em Juiz de Fora (MG). Foto: (Reprodução) A tragédia provocada pelas chuvas intensas na Zona da Mata mineira já contabiliza ao menos 23 mortos, dezenas de desaparecidos e mais de 400 pessoas fora de casa, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (24) pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. As equipes seguem mobilizadas em operações de busca e salvamento nas áreas mais atingidas.
O município mais impactado é Juiz de Fora, onde foram confirmadas 16 mortes. Em Ubá, outras sete vítimas fatais foram registradas. As autoridades não descartam a possibilidade de aumento no número de óbitos, já que ainda há relatos de pessoas desaparecidas em áreas de difícil acesso.
O temporal, que começou na tarde de segunda-feira (23), provocou o transbordamento do Rio Paraibuna, gerando enchentes de grandes proporções. A força da água invadiu residências, arrastou veículos e comprometeu estruturas urbanas. Além disso, deslizamentos de terra atingiram encostas e áreas habitadas, resultando em soterramentos e no colapso de imóveis.
Diante da gravidade do cenário, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, decretou estado de calamidade pública. Segundo a gestora, fevereiro já se tornou o mês mais chuvoso da história do município, com 584 milímetros acumulados — volume equivalente ao dobro da média esperada para todo o período.
A Defesa Civil municipal informou que cerca de 440 pessoas foram diretamente afetadas e precisaram ser encaminhadas para abrigos provisórios ou casas de familiares. Escolas da rede municipal tiveram as aulas suspensas, e diversos serviços públicos funcionam de forma parcial devido aos danos na infraestrutura.
As operações de resgate concentram-se principalmente nas áreas próximas ao leito do rio e em regiões de encosta consideradas de alto risco. O tenente Henrique Barcellos, do Corpo de Bombeiros, afirmou que as equipes atuam simultaneamente na localização de vítimas e na retirada preventiva de moradores. Máquinas escavadeiras auxiliam na remoção de lama e escombros.
Imagens divulgadas por moradores mostram prédios desabando em poucos segundos após sofrerem abalos estruturais. Ruas transformaram-se em verdadeiros rios, com correnteza intensa e água atingindo níveis elevados. Em vários pontos, o fornecimento de energia foi interrompido por medida de segurança.
Especialistas em meteorologia explicam que o episódio foi provocado pela combinação de umidade elevada com instabilidade atmosférica persistente, favorecendo chuvas concentradas em curto período. O cenário reforça o alerta sobre a vulnerabilidade de áreas urbanas construídas em encostas e margens de rios.
O episódio em Minas Gerais soma-se a uma sequência de desastres climáticos recentes no país. Em 2024, enchentes históricas no Sul deixaram mais de 200 mortos e milhões de pessoas afetadas. Em 2022, Petrópolis, no Rio de Janeiro, registrou 241 mortes após fortes temporais. Pesquisadores associam a intensificação desses eventos ao avanço das mudanças climáticas, que têm ampliado a frequência e a severidade de fenômenos extremos.
Enquanto as buscas continuam, autoridades estaduais e federais avaliam medidas emergenciais de apoio às cidades atingidas. A prioridade, segundo os órgãos de segurança, é localizar desaparecidos, garantir abrigo às famílias desalojadas e restabelecer serviços essenciais nas áreas afetadas.
Redação ANH/MG








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