Ponte Salvador-Itaparica aguarda aprovação: laudos do MPF revelam insuficiência de diagnósticos ambientais
MPF questiona solidez técnica da Ponte Salvador-Itaparica através de três laudos que apontam lacunas críticas no projeto.
Nesta quarta-feira, foi divulgado três laudos técnicos elaborados pelo Ministério Público Federal que levantam questionamentos sobre a robustez técnica e ambiental da Ponte Salvador-Itaparica. Os documentos, assinados por sete peritos federais entre setembro e outubro do ano passado, indicam a necessidade de estudos mais aprofundados e maior rigor técnico para viabilizar o licenciamento da obra.
Apesar de o Governo da Bahia ter divulgado um cronograma atualizado com previsão de início das obras em 4 de junho deste ano, o empreendimento ainda depende da Licença de Instalação, que não foi autorizada.
Os laudos apontam lacunas críticas em diversas dimensões ambientais. No meio biótico, os documentos identificam ausência de modelagem ecológica preditiva para a bioinvasão, subestimação da área de manguezal impactada e insuficiência do esforço amostral. Um dos erros mais graves mencionado é a inconsistência no cálculo da área de manguezal, que apresenta discrepância entre 254 hectares e 0,254 hectares, um erro crucial que deve ser sanado com urgência.
Entre os pontos considerados críticos está o risco ambiental à Baía de Todos-os-Santos. Segundo os documentos, o MPF identificou que a ponte pode provocar alterações nos padrões de circulação da água e que sedimentos da obra podem afetar áreas de reprodução, alimentação e deslocamento de espécies, com consequências diretas para a biodiversidade e para atividades econômicas tradicionais, como a pesca artesanal.
A partir das conclusões técnicas dos laudos, o MPF recomendou a contratação de pelo menos 20 profissionais para auxiliar o Ministério Público do Estado da Bahia, que já conduz investigação sobre o empreendimento. Entre os perfis sugeridos estão engenheiros, especialista em Direito Ambiental, oceanógrafo e biólogos.
O nível de exigência técnica evidencia a complexidade do empreendimento e levanta questionamentos sobre a suficiência dos diagnósticos já realizados. O governo apresentou ao Tribunal de Contas do Estado o cronograma do projeto, que prevê início das obras em junho e conclusão para 2031, mas a ausência da Licença de Instalação permanece como entrave para o avanço da obra.
Redação ANH/BA








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