Greve dos professores: mobilização deixa Prefeitura e chega à Câmara de Natal
Categoria está em greve desde 6 de agosto. Nesta quinta-feira, eles invadiram Palácio Felipe Camarão exigindo reunião. Foto: José Aldenir Professores encerram acampamento em frente à Prefeitura de Natal após promessa de reunião
Em greve desde 6 de agosto, professores e educadores infantis da rede municipal de ensino de Natal encerraram, no fim da tarde desta quinta-feira (20), o acampamento montado em frente ao Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura. A desmobilização ocorreu após a promessa de que uma comissão do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN) será recebida pela vereadora Nina Souza (PL), primeira-dama da capital, nesta sexta-feira (21).
A reunião está prevista para ocorrer pela manhã, no gabinete da parlamentar, na Câmara Municipal de Natal. A expectativa do sindicato é que o encontro possa abrir espaço para uma negociação direta com a administração municipal.
A promessa foi feita após manifestantes ocuparem o Palácio Felipe Camarão nesta quinta-feira para cobrar uma reunião com representantes da Prefeitura. Os trabalhadores permaneceram no prédio durante horas, enquanto aguardavam uma resposta da gestão do prefeito Paulinho Freire (União).
Segundo o Sinte-RN, a categoria reivindica valorização profissional, isonomia salarial, implantação de uma carreira única, além de melhorias na estrutura, nas condições de trabalho e no funcionamento das escolas e dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
Com o fim do acampamento, a mobilização será transferida para a Câmara Municipal nesta sexta-feira. A concentração está prevista para as 9h30, em frente ao Legislativo, onde professores e educadores infantis pretendem acompanhar a reunião entre os representantes do sindicato e Nina Souza.
A ocupação do Palácio Felipe Camarão foi o episódio de maior tensão das mobilizações realizadas nesta semana. Na terça-feira (18), os profissionais já haviam realizado um ato em frente à Prefeitura. Na ocasião, representantes da categoria afirmaram ter recebido a informação de que seriam chamados para uma reunião após um encontro entre o prefeito e o secretário municipal de Educação, Aldo Fernandes.
Como a audiência não havia sido confirmada até a manhã desta quinta-feira, os trabalhadores retornaram ao local e montaram o acampamento. Durante o dia, parte dos manifestantes entrou no prédio para pressionar pela abertura das negociações.
Greve continua apesar de decisão judicial
A paralisação continua mesmo após uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) que determinou a suspensão imediata da greve. A liminar foi concedida na sexta-feira (14) pelo desembargador Glauber Rêgo, que estabeleceu prazo de 24 horas para o retorno dos profissionais às atividades.
A decisão também determinou que o Sinte-RN não promova, incentive ou mantenha a paralisação, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. O Município acionou a Justiça alegando que o sindicato iniciou a greve sem apresentar previamente um plano de contingenciamento para garantir a continuidade de parte dos serviços.
Na decisão, o desembargador considerou que a entidade deveria ter apresentado uma proposta objetiva para assegurar a manutenção parcial das atividades, levando em conta principalmente os impactos da paralisação na educação infantil e na rotina das famílias que dependem das creches e pré-escolas.
Mesmo após a liminar, os trabalhadores aprovaram, em assembleia na segunda-feira (17), a continuidade da greve e a ampliação das mobilizações.
A assessoria jurídica do sindicato sustenta que a decisão determinou a suspensão do movimento, mas não declarou formalmente a ilegalidade da greve. A entidade também informou que assumirá o pagamento das multas decorrentes do descumprimento da ordem judicial e apresentará sua defesa no processo.
O Sinte-RN afirma que busca há quase dois anos uma negociação com a Prefeitura de Natal para discutir as reivindicações da categoria.
Redação ANH/RN








COMENTÁRIOS