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Maceió,27/09/2026

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Compatibilidade total faz pai de 69 anos doar rim ao próprio filho

Agência Brasil
Compatibilidade total faz pai de 69 anos doar rim ao próprio filho Doação de órgãos (DIVULGAÇÃO/MINISTÉRIO DA SAÚDE)

Aos 69 anos, Arivaldo Sampaio decidiu fazer um gesto que mudaria a vida do filho. Em 2023, depois de o único rim do filho perder a função e de ele passar por sessões de hemodiálise quase diariamente, Arivaldo se colocou à disposição para ser um possível doador.

Assim como outros familiares, ele fez os exames necessários para verificar a compatibilidade. O resultado surpreendeu: pai e filho apresentaram compatibilidade total para o transplante renal.

“Eu tive a felicidade de descobrir que era compatível. Esse momento, para mim, foi um momento de graça. Foi uma graça divina mesmo”, contou Arivaldo.

Antes de ser considerado apto para a doação, porém, ele precisou passar por uma série de avaliações. Aos 69 anos, Arivaldo tinha receio de que o rim não apresentasse condições adequadas para ser transplantado.

“Eu me perguntava: como estará esse rim? Funcionalmente ele estará bem? Pode mesmo ser doado? Fizemos todos os exames e, graças a Deus, fui considerado apto”, relatou.

Segundo o Ministério da Saúde, pessoas vivas podem doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte dos pulmões. A doação depende de uma avaliação médica detalhada, que considera o histórico de saúde do doador, doenças preexistentes e as condições do órgão que será transplantado.

A idade, isoladamente, não impede a doação. No entanto, pessoas com mais de 60 anos passam por uma avaliação ainda mais criteriosa para verificar se o procedimento oferece segurança ao doador e ao receptor.

No caso de Arivaldo, a recuperação após a cirurgia foi tranquila. Ele destaca a importância do acompanhamento de uma equipe especializada durante todo o processo.

“Meu filho já saiu com o rim funcionando”, contou.

Três anos depois do transplante, Arivaldo mantém uma rotina ativa. Ele pratica exercícios físicos pelo menos cinco vezes por semana, alternando corrida, musculação e alongamento. Também realiza consultas e exames uma vez por ano no Hospital Universitário de Brasília (HUB), responsável pela coordenação do transplante.

“Tudo isso é uma prova de que, quando você procura se cuidar, consegue chegar a uma idade mais avançada com mais qualidade de vida”, afirmou.

Formado em educação física, Arivaldo foi professor da rede pública durante 30 anos. Para ele, os cuidados adotados ao longo da vida são fundamentais para envelhecer com saúde.

“Sou formado em educação física, sou professor, lecionei por 30 anos na rede pública e sempre ensinei aos meus alunos que nossa velhice é consequência do que a gente faz antes, no dia a dia.”

Doação de órgãos

Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, o equivalente a 20,3 doadores por milhão de habitantes. Foi o maior número já registrado no país.

Apesar do avanço, 49,4 mil brasileiros aguardam atualmente por um transplante, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes.

No caso da doação em vida, a legislação brasileira permite que a pessoa doe órgãos a parentes de até quarto grau e ao cônjuge, sem necessidade de autorização judicial. Para pessoas sem esse grau de parentesco, a doação também é possível, mas depende de autorização da Justiça.

Avaliação é fundamental

O nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília, explica que a avaliação de um doador vivo é especialmente rigorosa porque envolve uma pessoa saudável que decide, de maneira voluntária, doar um órgão.

“O nosso objetivo é minimizar ao máximo os riscos desse procedimento e garantir que o doador possa seguir sua vida com segurança e boa saúde após a doação”, afirmou.

Segundo o especialista, quando o possível doador tem mais de 60 anos, a análise costuma ser ainda mais detalhada. Isso ocorre porque, com o envelhecimento, aumenta a possibilidade de surgirem condições como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, que podem elevar os riscos da cirurgia ou comprometer a saúde futura do doador.

A avaliação pode incluir exames de sangue e urina, análise da função renal, exames de imagem e avaliação cardiovascular, entre outros procedimentos.

A decisão sobre a possibilidade de doação não é baseada apenas na idade. Os médicos também analisam o estado geral de saúde, a expectativa de vida, a capacidade de permanecer saudável com um único rim e os riscos associados à cirurgia.

“Envolve uma avaliação completa do doador”, explicou Freitas.

Além da saúde de quem doa, a equipe também verifica as condições do órgão e do receptor, buscando garantir que o transplante tenha uma perspectiva adequada de funcionamento.

“Precisamos encontrar equilíbrio: garantir que a doação seja segura para quem doa e que o órgão ofereça uma boa perspectiva para quem recebe”, afirmou o médico.

De acordo com Freitas, portanto, a idade avançada, por si só, não exclui uma pessoa da possibilidade de ser doadora viva. A decisão depende de uma avaliação individualizada e da ausência de condições que possam tornar o procedimento inseguro.

“Quando essas doenças estão ausentes, associado à função renal adequada, e a avaliação médica demonstra que o indivíduo apresenta boas condições para o procedimento, ela pode ser uma doadora”, explicou.

Redação ANH/DF




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