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Maceió,27/10/2026

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Primeiro açude público do Brasil chega aos 120 anos praticamente seco no Ceará

Assessoria
Primeiro açude público do Brasil chega aos 120 anos praticamente seco no Ceará Parede principal de barramento do Açude Cedro, em Quixadá. Foto: Fabiane de Paula

Açude do Cedro completa 120 anos com apenas 0,64% da capacidade no Ceará

O Açude do Cedro, localizado em Quixadá, no Sertão Central do Ceará, completa 120 anos nesta segunda-feira (26) com apenas 0,64% da capacidade total de armazenamento. Inaugurado em 26 de outubro de 1906, o reservatório é considerado a primeira barragem pública do Brasil e representa um marco histórico da engenharia hídrica nacional.

Com capacidade para armazenar 126 milhões de metros cúbicos de água, o açude foi idealizado ainda durante o Império, por determinação de Dom Pedro II, após as grandes secas que atingiram o Nordeste entre 1877 e 1879. A obra, concluída durante a República, levou 16 anos para ser finalizada.

Apesar da importância histórica, o reservatório deixou de abastecer Quixadá há quase duas décadas. Atualmente, essa função é desempenhada pelo Açude Pedras Brancas, que também represa o Rio Sitiá.

Segundo dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), o maior volume registrado pelo Cedro nos últimos 20 anos ocorreu em junho de 2009, quando atingiu 35,22% da capacidade. Desde então, o nível da água apresentou uma tendência de queda, chegando a ficar praticamente seco em fevereiro de 2017 e nos primeiros meses de 2022.

Em 2023 e 2024, o reservatório voltou a receber água e alcançou quase 5% da capacidade em junho de 2024. Posteriormente, o volume voltou a diminuir.

Monumento histórico e atração turística

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Açude do Cedro também se destaca pela arquitetura e pela paisagem formada pela barragem em arco e pela Pedra da Galinha Choca, um dos principais cartões-postais de Quixadá.

A parede principal tem 450 metros de extensão e foi construída com pedras extraídas da própria região. A estrutura conta ainda com guarda-corpo de ferro e pilares de pedra natural esculpidos.

Ao longo de sua história, o açude atingiu a capacidade máxima e sangrou em cinco ocasiões: 1924, 1925, 1974, 1975 e 1989. Desde então, não voltou a transbordar.

De acordo com o coordenador estadual do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Joacir Moreira de Sousa, o reservatório está praticamente no chamado volume morto, nível abaixo do necessário para a captação convencional de água.

Por que o açude tem dificuldade para acumular água?

O secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Ramon Flávio Gomes Rodrigues, aponta características da bacia hidrográfica e a construção de outros reservatórios na região como fatores que dificultam a recarga do Cedro.

Segundo ele, a bacia que contribui para o abastecimento do açude é relativamente pequena. Além disso, outros reservatórios construídos rio acima retêm parte da água que poderia chegar ao local.

Pequenos barramentos instalados ao longo do Rio Sitiá também reduzem o fluxo de água destinado ao reservatório.

Entre as alternativas discutidas para aumentar a recarga está a possibilidade de interligação com outros mananciais. A iniciativa, entretanto, exige estudos de engenharia que considerem a disponibilidade hídrica, o aproveitamento da água e as perdas por evaporação.

Importância histórica e social

A construção do Açude do Cedro está diretamente relacionada às políticas de enfrentamento às grandes secas no Nordeste. Segundo o historiador Tyrone Candido, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), as obras públicas foram defendidas, naquele período, como uma forma de enfrentar a crise e empregar a população sertaneja.

Milhares de trabalhadores participaram de atividades como escavação, quebra de pedras, transporte de terra e construção da barragem. O historiador destaca que a obra também evidencia as contradições sociais das políticas de socorro às populações atingidas pela seca.

Ao longo do século XX, o açude contribuiu para a transformação econômica e social de Quixadá, abrigando iniciativas relacionadas à agropecuária e à experimentação de espécies vegetais e animais.

Mesmo com a redução do volume de água e a perda da função de abastecimento, o Açude do Cedro continua sendo uma referência cultural e turística. Sua arquitetura, associada à Pedra da Galinha Choca, permanece como um dos símbolos mais conhecidos do município.

Redação ANH/CE




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