Incêndio atinge prédio histórico da Faculdade de Direito da USP, Centro de SP
Reprodução/Redes sociais. (Incêndio em prédio da USP) Um incêndio atingiu na noite desta quinta-feira (26) o antigo Palácio do Comércio, edifício histórico incorporado em 2024 à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, região central da capital paulista. As chamas consumiram cerca de 50 metros quadrados do terceiro andar da construção. Apesar do susto e da mobilização de equipes de emergência, não houve registro de vítimas.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, dez viaturas foram enviadas ao local para conter o fogo. A Polícia Militar do Estado de São Paulo também deu apoio à ocorrência, e o trânsito no entorno do Largo São Francisco precisou ser interditado temporariamente para garantir a segurança das equipes e da população.
Por volta das 3h05 desta sexta-feira (27), os bombeiros informaram que o trabalho de rescaldo havia sido concluído e que o prédio foi deixado em condições seguras. A suspeita inicial é de que o incêndio tenha sido provocado por um curto-circuito no sistema de ar-condicionado, que teria iniciado as chamas no pavimento superior.
A diretora da Faculdade de Direito, Ana Elisa Bechara, afirmou que o fogo foi controlado rapidamente e que os danos ficaram restritos principalmente ao telhado do terceiro andar. Segundo ela, a pronta resposta das equipes evitou que o incêndio se alastrasse para outras áreas do imóvel, que possui aproximadamente 3,7 mil metros quadrados de área construída.
O prédio é tombado como patrimônio cultural nos âmbitos estadual e municipal, o que aumenta a preocupação com a preservação de sua estrutura original. Localizado em frente ao tradicional prédio da Faculdade de Direito — conhecido como “SanFran” —, o imóvel vinha sendo utilizado para atividades acadêmicas e administrativas desde sua incorporação à universidade.
Momento do incêndio
O estudante de Direito Marino Peron estava em aula no prédio histórico da faculdade no momento do incêndio. Segundo ele, o fogo começou entre 22h e 22h30, horário em que algumas turmas já deixavam o campus.
Ele relatou que não havia alunos dentro do edifício atingido, já que as atividades realizadas ali costumam ser pontuais, como ensaios de teatro, reuniões e monitorias. Ainda assim, a movimentação de viaturas e a presença de fumaça chamaram a atenção de estudantes que permaneciam na área.
Com a chuva que caía naquele momento, parte dos alunos se abrigou na entrada do prédio histórico para acompanhar a situação. “Ainda bem que não tinha ninguém lá dentro”, comentou o estudante, ressaltando o alívio diante da ausência de feridos.
A expectativa agora é que o prédio passe por vistoria técnica para avaliar os danos estruturais. Como o incêndio atingiu o telhado, há possibilidade de interdição temporária do espaço, o que pode impactar atividades acadêmicas e culturais programadas para o local.
Patrimônio histórico
Inaugurado em 12 de dezembro de 1908, o edifício foi originalmente sede da Escola Prática de Comércio, atual Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). A construção abriga três pavimentos, cerca de 20 salas, salão nobre e dependências administrativas.
O imóvel também tem relevância na história da antiga Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, que iniciou suas atividades no local em 1933, permanecendo ali até 1954. No início do século 20, disciplinas da área de Medicina também foram ministradas no prédio.
O projeto arquitetônico é assinado pelo engenheiro e arquiteto sueco Carlos Eckman, responsável por outras construções emblemáticas da capital paulista. Em 2024, após decreto de desapropriação assinado pelo governador Tarcísio de Freitas, o imóvel foi oficialmente integrado à Faculdade de Direito da USP.
Desde então, passou a abrigar parte da biblioteca da instituição, salas destinadas à graduação, pós-graduação e cursos de extensão, além de centros de estudos voltados ao ensino jurídico e ao direito empresarial. A universidade ainda não informou se as atividades serão temporariamente suspensas ou remanejadas em razão dos danos causados pelo incêndio.
Redação ANH/SP








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