Filhotes de tartaruga-verde nascem pela primeira vez na Ilha de Itamaracá
Tartarugas-de-pente desovam em Itamaracá. Foto: Instituto Itamaracá Preservada Primeiro nascimento de tartarugas-verdes é registrado na Ilha de Itamaracá
A Ilha de Itamaracá, no Litoral Norte de Pernambuco, entrou para a história da conservação marinha ao registrar, pela primeira vez, o nascimento de filhotes de tartaruga-verde (Chelonia mydas). Mais de 40 filhotes emergiram de um ninho monitorado pelo Instituto Itamaracá Preservada na manhã do último domingo (12), marcando a primeira reprodução documentada da espécie no município.
O ninho vinha sendo acompanhado desde o dia 14 de maio pela equipe do instituto. Apesar de a tartaruga-verde já ser frequentemente avistada nas águas da região, não havia registros anteriores de desova e nascimento da espécie no litoral de Itamaracá.
Segundo o presidente do Instituto Itamaracá Preservada, Ruan Fernandes, o feito representa um marco para a biodiversidade local. Ele explica que a tartaruga-verde concentra sua reprodução principalmente em ilhas oceânicas, como Fernando de Noronha e o Atol das Rocas, tornando raros os registros de nidificação no litoral continental.
"O nascimento desses filhotes em Itamaracá é um acontecimento extremamente relevante para a conservação marinha da nossa região", destacou.
O integrante do instituto Pedro Victor também comemorou a descoberta, classificando o momento como um sinal de esperança para a preservação da fauna marinha da ilha e um incentivo para a continuidade do trabalho desenvolvido pela equipe.
A bióloga Rosemari Rodrigues, que dedicou uma década ao monitoramento de tartarugas marinhas na região, acompanhou de perto a eclosão e presenciou pela primeira vez o nascimento de filhotes de tartaruga-verde na ilha.
Mais de 180 filhotes chegaram ao mar em dois dias
Além do marco histórico, o fim de semana também registrou a soltura de 146 filhotes de tartaruga-de-pente na Praia do Forte Orange, o maior nascimento observado em um único ninho durante a atual temporada reprodutiva.
Antes da soltura, moradores e visitantes participaram de uma ação de educação ambiental promovida pelo Instituto Itamaracá Preservada, voltada à conscientização sobre a importância da preservação das tartarugas marinhas e dos ecossistemas costeiros.
De acordo com Ruan Fernandes, iniciativas como essa fortalecem o vínculo da população com a natureza e incentivam a proteção da biodiversidade.
Superação após furto de filhotes
A soltura ocorreu poucos dias após um episódio que causou indignação entre ambientalistas. No início de julho, dezenas de filhotes desapareceram de um ninho monitorado na praia de Jaguaribe, após serem retirados ilegalmente antes da abertura programada para uma atividade de educação ambiental.
Mesmo com a tela de proteção instalada pela equipe, os voluntários encontraram o ninho vazio na manhã seguinte, frustrando uma ação que contaria com a participação de estudantes e da cantora Lia de Itamaracá.
Para Maria Luisa, integrante do instituto, a nova soltura representou um momento de renovação.
"O furto dos filhotes nos deixou muito tristes, mas ver 146 tartarugas chegando ao mar diante de tantas pessoas mostrou que vale a pena continuar lutando pela conservação da biodiversidade da nossa ilha", afirmou.
Monitoramento
Em 2026, o Instituto Itamaracá Preservada identificou e monitorou mais de 50 ninhos ao longo de aproximadamente 17 quilômetros do litoral da ilha, entre a Praia do Forte Orange e o Pontal da Ilha. Segundo a organização, mais de 3 mil filhotes de tartarugas marinhas já nasceram na região neste ano, reforçando a importância das ações de monitoramento e conservação desenvolvidas no município.
Redação ANH/PE






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