Mercosul e União Europeia abrem novas portas para a economia do Ceará
Produtos semiacabados, lingotes e formas primárias de ferro ou aço são os produtos cearenses mais exportados em 2025 para a UE. Foto: Thiago Gadelha Acordo entre Mercosul e União Europeia pode impulsionar exportações do Ceará para o mercado europeu
A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, no último dia 1º de maio, abre novas perspectivas para a economia cearense. A expectativa é de que o tratado fortaleça a presença dos produtos do Ceará no mercado europeu e reduza a dependência do Estado das exportações destinadas aos Estados Unidos.
O cenário foi apresentado nesta segunda-feira (13), durante a edição de Fortaleza do evento Conexões Produtivas, realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Na ocasião, o analista de inteligência de mercado da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Igor Gomes, destacou que as exportações cearenses para a União Europeia vêm registrando crescimento consistente nos últimos anos.
Segundo os dados apresentados, desde 2021 as vendas do Ceará para o bloco europeu acumulam crescimento médio anual de 18,7%, enquanto as exportações destinadas aos Estados Unidos apresentaram retração média de 7,8% no mesmo período.
Apesar disso, os Estados Unidos permanecem como o principal parceiro comercial do Ceará. Em 2025, o Estado exportou cerca de US$ 1,05 bilhão para o mercado norte-americano, volume equivalente a 46% das exportações cearenses. Já a União Europeia ocupa a segunda posição, respondendo por 19,6% das vendas externas, com US$ 448,5 milhões em produtos exportados no último ano.
Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, o acordo representa uma oportunidade estratégica para ampliar a participação das empresas cearenses no comércio internacional.
Segundo o ministro, o tratado conecta um mercado de aproximadamente 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em R$ 22 trilhões, criando condições favoráveis para ampliar tanto o volume exportado quanto o número de empresas brasileiras atuando no mercado europeu.
Márcio Elias Rosa também afirmou que o acordo ganha ainda mais relevância diante das medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos nos últimos anos. Para ele, enquanto alguns países impõem barreiras comerciais, o acordo entre Mercosul e União Europeia amplia oportunidades e fortalece a integração econômica entre os blocos.
Embora a Suprema Corte norte-americana tenha revogado, em fevereiro deste ano, parte das sobretaxas impostas a produtos brasileiros, permanecem restrições para materiais siderúrgicos, como o aço. Além disso, existe a expectativa de novas tarifas sobre produtos brasileiros, o que reforça a importância da diversificação dos mercados consumidores.
Indústria e frutas lideram exportações
Os dados da ApexBrasil mostram que os produtos semiacabados de ferro e aço lideram as exportações cearenses para a União Europeia, com US$ 140,9 milhões comercializados em 2025.
Na sequência aparecem as frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, que movimentaram US$ 83,2 milhões, além de outros minerais brutos, responsáveis por US$ 63,8 milhões em vendas ao bloco europeu.
Entre os setores econômicos, a indústria de transformação concentra a maior participação nas exportações para a Europa. Entre 2021 e 2025, sua participação passou de 62,4% para 66,4% do total exportado.
Atualmente, 154 empresas cearenses mantêm relações comerciais com países da União Europeia, número que, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tende a crescer com a consolidação do acordo de livre comércio e a ampliação das oportunidades para cooperativas, pequenos produtores e indústrias do Estado.
Redação ANH/CE






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