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Maceió,29/08/2025

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Cartão-postal em debate: o futuro da Beira-Mar de Fortaleza

Assessoria
Cartão-postal em debate: o futuro da Beira-Mar de Fortaleza Permissionários receberam aviso prévio sobre decreto antes da publicação oficial. Foto: Kid Jr

Reordenamento da Beira-Mar gera debates entre corredores, permissionários e Prefeitura de Fortaleza

A Beira-Mar de Fortaleza é um dos espaços mais movimentados da Capital, reunindo diariamente corredores de rua, ciclistas, permissionários e turistas. Além de cenário turístico, o local também se consolidou como palco para a prática esportiva, tanto para atletas amadores quanto profissionais. Mas, com o reordenamento iniciado pela Prefeitura, novas regras devem mudar a rotina de quem ocupa a orla.

O decreto nº 16.457, publicado em 21 de agosto no Diário Oficial do Município, suspendeu por 180 dias — com possibilidade de prorrogação por igual período — a concessão, renovação e ampliação de permissões e autorizações para uso do espaço público na orla. A medida inclui a faixa de areia, o calçadão e demais áreas públicas entre a Ponte Metálica e o Mercado dos Peixes, onde atualmente funcionam assessorias de corrida e atividades ligadas a esportes náuticos.

Segundo o documento, a concessão desordenada de autorizações comprometeu a segurança, a acessibilidade e a harmonia urbanística da região. Com isso, a Prefeitura pretende realizar estudos técnicos e reorganizar os setores da Beira-Mar.

Atletas podem ser impactados

Um dos pontos que mais preocupam é o impacto sobre os corredores de rua, que transformaram a Beira-Mar em um dos principais espaços de treino da cidade. De acordo com o secretário da Regional 2, Márcio Martins, a intenção é dialogar com o público e apresentar alternativas.


“Temos inúmeros espaços que podem ser melhor utilizados, como a Praia do Futuro. Muitos dizem não frequentar por questões de segurança, e é por isso que precisamos envolver diversos órgãos. O debate é complexo”, afirmou Martins.


Ainda segundo ele, foram feitas reuniões com representantes de assessorias esportivas para ouvir demandas. Uma das propostas levantadas foi a construção de estruturas de apoio para armazenamento de equipamentos.

Voz dos permissionários

Entre os permissionários está o professor de Educação Física Dicson Falcão, fundador da KM Assessoria Esportiva. Ele relata que foi informado sobre o decreto antes da publicação, mas sem clareza sobre os possíveis impactos do reordenamento.


“Disseram apenas que sairia o decreto, mas que quem estivesse com as permissões em dia poderia renovar e continuar normalmente. Não falaram que mudanças maiores estavam previstas”, explicou.


Ciclofaixa segue como gargalo

Além das discussões sobre permissões, outro tema recorrente é o uso da ciclofaixa compartilhada entre ciclistas e corredores. Apesar das regras que proíbem caminhadas no espaço e exigem fila única para corredores, o descumprimento é frequente.


“Há muito tempo a ciclofaixa é um gargalo. Ela não foi feita para motos elétricas ou quadriciclos, mas eles circulam. Já os pedestres, às vezes, caminham dentro da faixa, enquanto corredores e ciclistas migram para o calçadão. Isso gera conflitos”, apontou Dicson Falcão.


O engenheiro civil André Nascimento, 26, corre na Beira-Mar há três anos e afirma que a falta de conscientização prejudica a convivência.


“O que mais atrapalha são as pessoas caminhando na ciclofaixa. Para desviar, você muda de lado e pode se chocar com uma bicicleta. Já presenciei situações de risco”, relatou.


Para ele, além de fiscalização, seria necessário reforçar a comunicação das regras para usuários do espaço.

Processo de reordenamento

De acordo com a Prefeitura, a orla será dividida em 12 setores. Cada área passará por levantamento e cadastramento de permissionários. Ao fim da análise, quem não se enquadrar nas novas regras será transferido para outro ponto da Beira-Mar. Já aqueles que permanecerem receberão novas permissões em prazos que variam de 60 a 100 dias. A fiscalização ficará sob responsabilidade da Agefis.


“Nosso time técnico, com apoio de secretarias como a de Direitos Humanos e Desenvolvimento Econômico, fará visitas de campo, conversará com cada permissionário e informará sobre a necessidade de mudanças. Queremos corrigir erros do passado e dar mais organização à Beira-Mar”, reforçou Márcio Martins.


Espaço simbólico

Mais do que um espaço esportivo, a Beira-Mar é vista por permissionários e frequentadores como um símbolo da cidade. A expectativa é que o reordenamento traga melhorias, mas sem afastar quem já consolidou ali suas práticas de trabalho ou de lazer.

Enquanto a Prefeitura busca equilibrar interesses, atletas e comerciantes aguardam definições para saber como o novo ordenamento vai impactar seu dia a dia em um dos cartões-postais mais conhecidos de Fortaleza.

Redação ANH/CE




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