Crise institucional leva STF ao centro do debate sobre reformas no Judiciário
Estudo aponta que mais de 80% das decisões do Supremo Tribunal Federal estão sendo monocráticas, uma das disfunções da Corte. Foto: Fellipe Sampaio/STF O debate sobre o funcionamento e a credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos capítulos nos últimos meses e passou a mobilizar juristas, parlamentares e especialistas em direito constitucional. Entre os principais pontos em discussão estão a criação de um código de ética específico para os ministros, o elevado número de decisões individuais e propostas de mudanças estruturais no modelo de atuação da Corte.
A elaboração de regras próprias de conduta para os integrantes do STF aparece como uma das prioridades institucionais previstas para os próximos anos. A medida surge em meio a críticas relacionadas à participação frequente de ministros em eventos privados e a questionamentos sobre a proximidade entre familiares e escritórios que atuam em tribunais superiores. Para especialistas, a definição de parâmetros claros pode contribuir para fortalecer a transparência e reduzir dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse.
Outro aspecto que tem alimentado o debate é o volume expressivo de decisões monocráticas — quando apenas um ministro decide sozinho. Levantamentos recentes apontam que, em 2025, a maioria dos julgamentos ocorreu nesse formato, o que reacendeu discussões sobre o papel colegiado do Supremo e o impacto dessas decisões na segurança jurídica e na relação entre os Poderes.
Estudos acadêmicos e institucionais também têm destacado desafios relacionados ao ativismo judicial e à necessidade de maior previsibilidade nas decisões da Corte. Entre as propostas em análise estão mudanças legislativas e até constitucionais que poderiam estabelecer critérios mais rígidos para o andamento de ações e limitar determinadas práticas processuais.
No Congresso Nacional, uma das ideias que volta ao centro das discussões é a criação de mandatos fixos para ministros do STF. Defensores da proposta argumentam que a medida ampliaria a rotatividade e alinharia o Judiciário às dinâmicas democráticas presentes no Executivo e no Legislativo. Já críticos avaliam que a alteração pode gerar impactos na independência institucional da Corte.
Casos recentes envolvendo decisões de grande repercussão econômica e política também contribuíram para ampliar o escrutínio público sobre o Supremo. Apesar das divergências, especialistas ressaltam que o tribunal continua sendo uma peça central do sistema democrático brasileiro e que o debate sobre reformas institucionais deve buscar equilíbrio entre autonomia judicial, transparência e confiança social.
Enquanto as discussões avançam, a expectativa é que novas propostas sejam apresentadas nos próximos meses, ampliando o diálogo entre Judiciário, Legislativo e sociedade civil sobre o futuro do STF e os caminhos para fortalecer sua legitimidade institucional.
Redação ANH/DF








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